quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Enfim resolvi qual será o programa do réveillon

Cama Doces, carnes e rancor. E parentes.
Na verdade na verdade, talvez o único elemento novo seja a cama.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Momento fofoca

Zélia Duncan vai ao Faustão lançar novo CD:

E José Mayer se junta aos Mutantes em nova formação:

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

All I want for Christmas

Chegar da praia com o corpo quente, tomar uma ducha gelada. Ficar em casa de toalha molhada ouvindo música e comendo rabanada. Dá pra melhorar?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

De tudo fica um pouco

E me sinto meio louco que agora só tenha em mim de domingo o resíduo de carvão no fundo da unha. Deve ter sido son(h)o ontem de noite.

domingo, 21 de dezembro de 2008

...sobad(it-sdrivingmemad)

Nas noites abafadas dormia mal, às vezes levantava-se, ia para a frente da casa, ficava olhando as coxilhas e o céu, tendo nos olhos um sono pesado e na cabeça, no peito, no corpo todo uma ânsia que a mantinha desperta e agitada. Não raro, altas horas da noite, acordava com uma sede desesperada, metia a caneca na talha, bebia em longos goles uma água que a mornidão tornava grossa; e ia bebendo caneca sobre caneca, para no fim ficar com o estômago pesado sem ter saciado a sede nem aliviado a ardência da garganta. Muitas vezes o sono só lhe vinha de madrugada alta, e, vendo pela cor do horizonte que o dia não tardava a raiar, concluía que não adiantava ir para a cama, pois, dentro de pouco, teria de acender o fogo para aquentar a água do chimarrão. O remédio, então, era molhar os olhos, lavar a cara, caminhar ao redor do rancho para espantar a sonolência.
Uma tarde, à hora da sesta, Ana Terra tornou a sentir aquela agonia de outras tardes e noites. Era uma sensação que não saberia descrever a ninguém. Seria fome? ... Havia acabado de almoçar, estava de estômago cheio; logo não podia ser fome. Tinha a sensação de que lhe faltava alguma coisa no corpo, como se lhe houvessem cortado um pedaço do ser. Era ao mesmo tempo uma falta de ar, uma impaciência misturada com a impressão de que alguma coisa - que ela não sabia bem claramente o que era - ia acontecer, alguma coisa tinha de acontecer. Revolveru-se na cama, meteu a cara no travesseiro, procurou dormir... Inútil. Ficou de novo deitada de costas, ouvindo o espesso ressonar dos homens dentro da cabana. Viu uma mosca-varejeira entrar por uma fresta da janela e ficar voando, zumbindo, batendo nas paredes, caindo e tornando a levantar-se para outra vez voejar e zumbir... Ana seguia com o olhar os movimentos da varejeira e acabou ficando tonta. Cigarras rechinavam lá fora. E mesmo sem ouvir o barulho do vento Ana sabia que estava ventando, pois seus nervos adivinhavam... Era o vento quente do norte a levantar uma poeira seca. Ana sentia o suor escorrer-lhe pelo corpo todo. O vestido se lhe colava às costas. Puxou toda a saia para cima do peito e ficou de coxas nuas e afastadas uma da outra, desejando água, um banho à sombra das árvores.

Erico Verissimo, O continente I.

updantp-m 2.0

Tento e tento seguir a leitura dos Seminários de Zollikon. A fala dele dá voltas, assim como meu pensamento. Os círculos não se concentram, no entanto, e parece que alguma partícula quântica dessas voltas saiu do meu cérebro e foi tão longe que esbarrou nos patins devidamente encaixados no vão do criado mudo mais de uma vez. Eles escorregaram e interpretei isso como um sinal de que devia vir aqui e dizer.
Mas se fosse para dizer, já teria dito. Estou aqui mesmo é para falar dessas restrições que me seguram aqui e ali. Talvez seja o Jack London que acabei de ler, com suas idéias de volta ao primitivo profundo, talvez seja alguma revolta por não ter dado aos instintos a liberdade que queria (devia?) ter dado. Talvez o impedimento se concentre nesse "dever", que sempre acompanha o "querer" em qual seja meu questionamento.
*Adendo minutos depois: acho que meu patins sentiu something coming. Mas na verdade na verdade não é nada que me diga respeito. Digamos que é só um querer apropriar-se.
**Mais alguns minutos: O mais estranho é me sentir meio fraco por isso. Esse deixar-se tomar por essas idéias que não me saem da cabeça. Por outro lado, talvez seja isso o que de mais digno me pode acontecer em meio a minha mania de estar no controle das situações.
Deve ser isso que quer dizer "ter um fraco por..."

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

BuShoes


É legal tb ver o Saramago.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Piadinha acadêmica

Eram três pesquisadores: um marxista, um heideggeriano e um frankfurtiano, tentando desdenhar da linha alheia por meio da fofoca:
Frankfurtiano: Marx comeu e engravidou a empregada!
Marxista: Heidegger era nazista!
Heideggeriano: Piores eram Adorno, Horkheimer, Benjamin, Marcuse... tudo judeu!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Texto interessantíssimo (como o prefácio)

Mas o que é o interessante, não é mesmo, minha gente?
A tragédia do comentário - Aconteceu de eu finalmente me aborrecer tanto com as pessoas tratando de Heidegger e nazismo ao ponto de escrever um texto a respeito do tititi filosófico. Com deboche, é claro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Galhofa

Descobri que justo aquele cara que visivelmente não usa cueca para treinar (não que eu me incomode) se chama Bráulio. Deus, tu tá engraçadinho, hein?

sábado, 29 de novembro de 2008

these hearts come undone

we'll have to make new love(?)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sabe quando 15 cheques em branco resolvem sair da sua vida de uma hora pra outra? Pois é, aconteceu comigo. Vou ver filme e comer brigadeiro ali e já volto.

Erika

Alguém buscou aqui: Ressaibo e Erika. Ressaibo é romance, da Erika. Acho que o sobrenome dela é Mattos da Veiga. O romance é ótimo, você que buscou aqui pode ler que eu apóio!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sobre academia (não a de malhação) e literatura

Reproduzo aqui o comentário ao post de Adriana Lisboa sobre teses-romance nas universidades.
Literatura é uma forma de conhecimento como qualquer outra - e ainda assim completamente diferente (gostaria de dizer superior, mas não digo, até porque não creio ser essa a questão) de qualquer outra.
O que os trabalhos-literatura (que têm outro exemplar na peça escrita pela doutoratriz Andréia Copeliovitch, na UFRJ) têm para incomodar tanto é o grande grito que dão: "O rei está nu!". Não é segredo (ou é e estou fazendo uma grave denúncia?) a quantidade de trabalhos interpretativos tradicionais ruins a péssimos aprovados pelas bancas, seja isso devido à condescendência ou à incompetência dos que avaliam.
O que a literatura na universidade traz é a questão: como se avaliaram trabalhos acadêmicos até então? Manter-se-ão os critérios de aprovação (não são nem mais critérios de avaliação) daqui para a frente? Ou serão nossos adjuntos e titulares incapazes de avaliar a escrita literária, como fica patente nos casos de prêmios dados a livros ruins por aí (não os seus, é claro)?
Há muito rei constrangido. Mas continuemos a gritar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Você percebe que a vida não está muito normal quando...

... Eça é a sua leitura "das horas vagas", ou seja, a coisa que você mais tem prazer em ler.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mamma mia!

Pois é. Fui ver a Meryl Streep fazer a Clarissa Vaughan de novo. E chorei (não só nessa cena). Não é qualquer um que embrulha uma écharpe assim.

sábado, 8 de novembro de 2008

Ressaibo

Danço à moda de Jun e a certo ponto da noite F se aproxima e faz a piada em meu ouvido:
- E aí? Conseguiu tirar aquela sujeira balançando a cabeça assim ou o ouvido ainda está entupido?
Não estava. Mas parei para pensar por que costumo dançar assim, a cabeça balançando e uma das mãos ao ouvido, assim como S dança com a mão na barriga, como se um bolero solitário.
Billy Elliot surge em minha memória: sua professora lhe conta a história de Lago dos cisnes, em qua uma mulher, transformada em cisne por uma feiticeira, à noite tem a chance de se livrar da penugem e voltar a ser mulher por alguns instantes. Da mesma forma Billy se sente liberto. Descreve que, quando dança, se sente como a própria eletricidade, energia pura, e tudo mais desaparece.
Talvez haja algo em meu ouvido, umas falas repetidas e incômodas - que talvez S sinta em si como uma má digestão, ou uma ausência de par - das quais me livro momentaneamente lá pelo terceiro copo ou a quinta música. Então tomo coragem e esperneio a cabeça para ver se sai de uma vez essa cera que vai contra que eu ouça o que me dizem e distorce tudo e me impede de viver as coisas imediatamente.
Não almejo eliminar a mediação, aquele "entre" permitindo a própria conversa. Falo de me livrar desse acúmulo todo que se interpõe, ceroso, a cada experiência, dela me distancia e me mantém preso às marcas feitas à cera pelas sensações passadas - às quais tudo agora parece dever se adequar.
O presente nunca chega. Imagino que fosse essa a situação de Platão: tinha à frente de si o jovem, formoso, curioso Teeteto. Podiam conviver, talvez até trepassem, mas ainda assim as impressões anteriores do velho amante não lhe permitiam vivenciar tudo aquilo, perdido na nostalgia que estava. A cada dia juntos se espantava com ver um em outro e, ainda assim, a confusão não gerava uma substituição: Teeteto nunca poderia ser o bom e velho Sócrates. Sem nem um nem outro, só lhe restou filosofar, distanciado da vida.
Creio que a mim ainda resta dançar. Pouco a pouco, creio, a cera se derrete no calor do corpo e me aproximo um pouco mais desse presente o tempo todo correndo de mim. Quem sabe um dia não pipoca do ouvido uma pelota vermelha e eu chego lá?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pausa para merchandising

Eu não falo nem divulgo muito, mas tenho um outro blog mais metido a sério em que posto, das coisas que escrevo na ou para a faculdade, as que acho melhores.
Hoje foi para lá "Os três lobos da estepe a aprendizagem do mistério", sobre o romance de Herman Hesse.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quarteto de cordas de Débussy


Tá no repeat do meu MP3-p vagabundo. De babar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008


É uma pena que enviar as fotos por e-mail do celular as estrague tanto. Um dia meu cabo USB voltará a funcionar por intermédio divino e conseguirei fotos melhores.
É interessante a subida: a pressão atmosférica cai e parece que automaticamente a sanguínea sobe e os ouvidos vibram a cada batida do coração. Sozinho, ao redor só pedra íngreme, alguns arbustos e cactos e uma ave pernalta que provavelmente protegia um ninho fazendo cara feia para mim. Nos momentos em que a subida se torna mais lenta por causa da dificuldade, o medo aumenta e, curiosamente, urubus dançam ao meu redor no céu. Talvez o gostinho de estar lá, ou um dos gostinhos, seja a ilusão de vencer a morte. Confesso que pensei em zombar dos urubus, gritando: "Perdeu, play. Perdeu."
Ainda assim, a solidão me tomou de tal modo que, mesmo com caderno e caneta na mão, não consegui escrever. Fiquei lá, tonto e triste, buscando consolo em deitar e sentir aquele vento ininterrupto junto com a cor e o som do mar.

domingo, 26 de outubro de 2008

sábado, 25 de outubro de 2008

Duas horas da minha manhã de sábado a discutir com uma pessoa. Melhor dizendo, a ouvi-la falar coisas que eu não fazia a menor questão de ouvir. Orgulho-me por não ter simplesmente engolido o sapo, mas dito também o que queria dizer. Ainda assim, duas horas de audição literal acabam com minhas energias e minha pressão arterial, que deve ter ido a 2-0.
A vantagem é que fica mais forte em mim a convicção de que picuinhas devem ser tratadas como o que são: picuinhas. Não dar atenção, não responder à altura. Responder sem altura, 0 decibéis, só pensamento. Um nada diferente daquele ao qual me exauriu a discussão tola tola. Será que um dia aprendo?
Ephram volta à minha mente. Como torná-lo uma consciência permanente? Ou seria querer demais? Talvez o fato de não ter essa consciência permanente seja decisivo até mesmo para o possível aproveitamento das coisas. Ainda assim, aquela conversa à mesa da lanchonete ocorre de novo e de novo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Rapidinha do dia

- Quando Nietzsche chorou?
- Quando leu Irvin Yalom.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008


Falei hoje com um dos altos funcionários da editora Cemtilhai dir Nopsir hoje. FINALMENTE eles nos responderam e vão nos mandar uns livros para um trabalho que eu e uma amiga estamos fazendo para a Babnaepoci Licaelin. Parte da ligação foi provar para o tal Mircile que somos sérios e de fato não vamos pegar os livros para ler no final de semana. Parte da ligação é tentar torná-la casual e falar de coisas pessoais fingindo interesse na pessoa humana do outro. Aí ele me pergunta:
"Você teria algum documento que nos autorizasse a mandar os livros pro seu endereço pessoal? Porque esse endereço de Niterói é endereço pessoal de vocês, né?"
"É, mas conseguir mais do que a gente já mandou é difícil, porque o povo lá da BN é super complicado. Para conseguir passar um recado para a Cólai Pertolli levou duas semanas!"
"Ah, você não é funcionário da BN?"
"Não, eu sou da UFRJ. Da BN eu sou bolsista."
"Aaaah! Você é da UFRJ aí de Niterói, né? Ah, eu sei o nome, é a 'u éfe éfe', né?"

Tadinho. Achou que entendia de Geografia E de pronunciar siglas.

domingo, 12 de outubro de 2008

umpoucodeamornostempospós-modernos

Com as palavras juntinhas assim como quem dorme agarradinho e se aquece nessas noites de primavera gelada e chuvosa. Mas o que tenho a falar deve ser sobre distância, que se coloca entre nós ao longo do dia e que tentamos compensar de tantas maneiras. Mensagens de celular, declarações freqüentes, conversas longas, opiniões e novidades, piadas internas e frases imitadas repetidas ad infinitum. Eu paro e me sinto um pouco Estragon e Vladimir, repetindo as mesmas perguntas e respostas, muitas vezes irrelacionadas, de quem mal ouve ao outro. Buscam ou buscamos um entendimento que não se alcança ao mesmo tempo em que a vontade de independência leva a freqüentes (ainda existe trema no meu mundo) propostas de separação nunca realizadas por completo por conta da dependência mútua entre nós, entre E e V (por coincidência as iniciais dos pronomes de primeira e terceira pessoa em português).
É como uma tentativa de sobreposição, de fazer com que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço. Talvez não seja isso problemático; talvez seja mais a anulação da diferença na busca de uma identificação total. Ou, pior, a crença de que toda a parafernália identitária em comum (a neighbourhood, a compatibilidade do gosto musical, os amigos ou inimigos) traga de fato alguma aproximação.
O que eu queria falar mesmo é dos interesses e fiquei enrolando vocês com esses parágrafos acima. Mentira: há uma ligação entre as duas coisas, mas não vejo ainda como explicitá-la. Vai ficar só na proximidade, vocês que façam as sinapses (e eu que nunca escrevi para leitores assim no plural). Mas o que eu queria falar é de como as pessoas da minha geração acabam meio definidas pela tribo, pelas bandas de que gostam, pelos lugares que freqüentam, e a etiqueta é tão forte que a gente se impressiona quando a diferença entre um e outro é tanta. Assim, na seqüência: 1) de se interessar por alguém, 2) olhar um perfil de orkut (ta lá: music, books, tv, cuisines) e 3) ficar ou decepcionado quando aparece, sei lá, um Saia Justa, ou embasbacado com um Davi Ostraikh. São tantas tags sobrepostas que fica difícil se relacionar com a pessoa lá atrás. As próprias moças do Saia Justa, outro dia, diziam que beleza não tem nada que ver com sexo. Makes me wonder o que tem a ver com sexo. O que as tags têm a fazer quando os corpos se despem desses adereços metafísicos todos. Mas o essencial permanece não dito, inclusive nesse meu texto safado. E cheio de pretençõesões sinápticas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

depois de semanas sem beber, eu nem sei mais como é o gosto de cerveja.
(mentira. mas meu reino por um convite pra bar, boteco ou balada bêbada.)

domingo, 5 de outubro de 2008

e ele arrasta ícones na área de trabalho aleatoriamente, metade se distraindo, metade ciente de que não era para a tarde de domingo ser assim.

Só a Lanika sabe quantas vezes eu já comentei esse diálogo aí pela vida. Ou não, mas muita gente já me ouviu falar dele.
Ephram: Yea, that is how it happened. That's how it always happens. Your first choice doesn't come through so you come find me -- your back up plan.
Amy: Ephram, I never think of you in that way.
Ephram: Maybe not intentionally,.. I mean, don't you realize that makes it even worse. It's like you don't even realize how much that hurts somebody. How much that hurts me.
Amy: Look, I'm sorry if--
Ephram: No. No, I'm sorry. Alright, look, Amy I know your life is really rough right now. And I want to be there for you. I do. But not like this. I can't keep being you're second choice. Not when you're my first.
Eis que esses dias me coloquei a repensá-lo, e percebi que nunca tinha notado algo fundamental que sempre passou discretamente pelo meu olhar afoito: o tom do Ephram não é de queixa nem de pedido. Ele se levanta e sai andando; é uma tomada de atitude de quem daquele momento em diante toma consciência da situação e vai realizar uma mudança por conta própria. Ele não pede que ela seja mais cuidadosa, mais presente, mais atenta. Ele reconhece que ela não pode ser assim naquele momento e ele vai ter que procurar outra pessoa.
Aliás, meu lado afoito transpareceu ontem no shopping. Entro na loja, tentando evitar encarar vendedores, mas uma logo se lança no meu caminho, me cumprimenta.
- Oi, eu vou comprar cuecas, então posso ir direto ao balcão. Você me acompanha?
- Ué, essa fala é minha! Eu que tenho que falar "você me acompanha?" para os cliente.
"Gente ansiosa é assim", pensei mas não falei. E pensei nessa ansiedade louca que está sempre dez metros à minha frente cumprimentando as pessoas e dando pinta nos lugares que freqüento ou possa freqüentar. Não só faz isso, como já vai se interessando profundamente ou desprezando de cara as pessoas que cruzam meu caminho. Tomei notas antes de começar o filme:
"Curioso como me preocupo com apontar padronizações e de imediato desprezar suas vítimas. Posso estar enganado, mas temo estar deixando de perceber singularidade. Talvez seja esse meu grande problema, ou uma das facetas dele.
Seria ele também só meu? Essa sede de generalização ainda me mata. Ou já está matando
Beckett me seduz com seu desespero enquanto um estranho me aborda no café pobre do shopping para contar que leu o Godot em francês." Nesse momento acabou a tinta da caneta, mas posso continuar: olhei para a cara dele, concordei com qualquer coisa que ele falou, tomei meu café correndo e saí andando para a fila da sessão, é claro. Alguém que me aborda no meio do meu café não pode ser alguém normal muito menos interessante.
E o filme do Ensaio sobre a cegueira não chega a ser grande coisa. Tudo bem, nós não vemos nada, de fato, não vemos. Mas é só isso. O livro deve ser melhor, assim como a peça que vi era bem melhor. Aquela ceninha de susto, as sujeiras espalhadas pelo chão, nem o estupro chegam a convencer como um todo de obra de arte mesmo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ensaio sobre a cegueira. Quero ver. Alguém me acompanha?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

dormir 12h em uma noite. era tudo que eu precisava fazer. aaaah, que delícia. :D

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

inferno astral fora de hora. só pode ser. essa semana tá tudo dando errado! hoje, por exemplo, são 7.30 da manhã e eu já derramei nescau no fogão e na minha calça.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

e lá vou eu mais uma vez dormir mais tarde do que devo para acordar mais cedo do que quero.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Eu não sei bem o que fazer com pessoas bipolares que me ficam antipáticas às vezes. Acabo entendendo o lado delas por identificação e não consigo me irritar.

sábado, 6 de setembro de 2008

Se um dia eu fizesse um filme - e eu já planejei esse cenário mais de uma vez - a cena inicial enquadraria uma janela de ônibus. Através dela, mais de perto, estariam passando os postes do muro da ponte. No fundo, escura, a cidade do Rio de Janeiro de luzes acesas como a vê quem volta para Niterói. A trilha sonora seria Radiohead, em um momento de solo frenético de Paranoid Android. Ou Electioneering. O protagonista por cujos olhos a câmera registra a cena revidaria um tapa em Clarissa Vaughan, dizendo "This IS happiness, it's not only the beginning and it's not gone. This is still happiness." Pouco a pouco as luzes amarelas, vermelhas e verdes passariam, e as substituiriam os longos cargueiros vazios que cruzam a baía no início da noite, polarizando as luzes do mar escuro pontilhado por miúdos reflexos lunares.
Ao fim da ponte, ver-se-ia uma lua crecente no céu. Seu sorriso amarelado saber-se-ia ser do diabo, e o protagonista se sentiria privilegiado por habitar a Terra, jogado nos deliciosos pecados de quem vive.
E tudo isso seria só o gostinho de quem teria acabado de perceber que as grandes aventuras estão aí esperando que as descubra, mesmo em um simples jogo de video-game abanadonado desde a infância. Ou então uma onda - a crista da onda - de cerveja com café.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

descontando ansiedade na (possibilidade de ) comida

o que me faria feliz agora seria um rolinho chinês de camarão com cream cheese encharcado de molho agridoce.
nas palavras de um grande amigo meu, BWHAAAAAAAR.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

I do feel stronger than a moth. Still, disanimated.

sábado, 30 de agosto de 2008

Se as pessoas soubesses que con-cordar não quer dizer pensar ou falar do mesmo jeito, a academia e o meio intelectual não seriam o campo minado que presentemente são. Confusão feita, só lhes resta mesmo subir as paredes do feudo, quando na verdade bastaria abraçar a diferença com o coração.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

É só fazer um pouco de exercício

e eu já me sinto mais poderoso que a verruga do meu dedão.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

*e só agora o orkut me avisa que hoje é dia internacional dos canhotos. VIVA NÓS!

Let it be...

Estava eu hoje mesmo comentando com Patricia que minha conta estava próxima do vermelho - coisa que não acontecia desde a época em que entrei pra Cultura. Logo em seguida relevei, me lembrando da minha mãe dizendo que nunca lhe sobrou dinheiro, mas também nunca faltou. "Afinal de conta, estou aqui saudável, com amigos, fazendo pegação (essa parte era a piada), não é? O dinheiro vai e volta quando a gente menos espera." Aí eu abro agorinha meu saldo no BB e uma bolsa com a qual eu nem contava mais foi paga. Dá-lhe mamãe (e dá-lhe monitoria, claro).

sábado, 2 de agosto de 2008

Minha coluna não dói mais, minha pressão está sob controle. A alergia não me incomoda, a tireóide está tratada e bem encaminhada assim como a verruga em meu polegar. O exame de sangue cujo resultado sairá segunda, creio eu, acusará taxas normais e equilibradas.
Ainda assim, essas horas acontecem em que surge devagar no alto do estômago um tremor que aos poucos toma o peito e sobe até a garganta fechada. O corpo todo vibra e a cabeça pesa com angústia.
Farei de conta que é o mero sentimento de um jovem insatisfeito por estar em casa no último sábado de férias apenas.
Quando a vontade mais sincera é me esconder na cama e chorar em silêncio. A dor não me permite sequer abrir a boca porque sabe que qualquer um um pouco mais lúcido que eu poderia me aconselhar a larga-la.

What would Jesus buy?


Siga a viagem do reverendo Billy, da Church of Stop Shopping. Do diretor de Super Size Me.

domingo, 27 de julho de 2008

surpresa

Descobrir que conheço melhor o relevo do controle-remoto do DVD que a superfície da mão de qualquer um de meus amigos.

sábado, 26 de julho de 2008

Beim Schlafengehen


Composição de Richard Strauss, Poema de Herman Hesse, Voz de Jessye Norman

Nun der Tag mich müde gemacht,
soll mein sehnlichstes Verlangen
freundlich die Gestirne Nacht
wie ein müdes Kind empfangen.
Hände laßt von allem Tun,
Stirn vergiß du alles Denken,
alle meine Sinne nun
wollen sich in Schlummer senken.
Und die Seele unbewacht
will in freien Flügen schweben,
um im Zauberkreis der Nacht
tief und tausendfach zu leben.

Desgosto da terra, esse solo no qual me enraizo tenaz por esse corpo pesado. A atração é tão forte que me surgem hérnias.
Sonho com solos lunares de leveza e desprendimento.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Mais sobre professores babacas

Eu e uma amiga conversando sobre um certo "monstro mundial da língüística aplicada" que dá aulas na minha faculdade. O cara exige que todos os alunos leiam todos os textos para a aula, ou...

eu:
se ele descobrir que vocÊ não leu o que acontece?
a prova é em inglês?
ela: depende do dia
eu: :s
ela: ou ele da escândalo e te marca ou te manda pra fora.
- manda pra fora? tipo 5a série? gente, que babaca.
e se eu não sair?
- aí vc n passa. ele marca seu nome. vc vai ser alfinetado um pouquinho ao longo do semestre.
- caraaalho. que babaaaaca. ninguém bate nele?
- se n leu, nem vá.
ninguém. o CV dele é tão longo quanto um rolo de papel higiênico
- e tem a mesma funcionalidade, né?

A cura do amor

Ao final, se não houver outro remédio, peçamos a ajuda e o conselho das velhas a fim que a difamem [à mulher amada] e a desonrem... Procure-se assim uma velha de aspecto asquerosíssimo, com grandes dentes e barba, com um vestido feio e vil, e que traga abaixo do ventre um pano sujo de menstruação; chegada à presença da amada, que comece a desalinhar-lhe a camisa dizendo que é sovina e bêbada, que mija na cama, que é epilética e desavergonhada, que no seu corpo há exrescências enormes, cheias de fedor, e outras porcarias com que as velhas estão familiarizadas. Se com isso não tiver ficado persuadido, então a velha tire fora improvisamente o pano menstrual sob o seu rosto, gritando: assim é a tua amiga, assim. E se nem mesmo com isso ele for induzido a esquecê-la, então não é um homem, mas um diabo encarnado...

Bernardo Gordonio, Lilium medicinale

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fìgado (de pelúcia)


Tô aceitando.

Programas

Eu e minha mãe passamos na loja de minha prima Mariana hoje. No meio do bate-papo, liga a filha de Mariana, Duda, de sete anos, chorando. Pelo que pude entender, um outro primo, Pedrinho, tinha ido passar o dia com ela, que deixou de fazer outras coisas para ficar na companhia do primo. E eis que de repente Pedrinho foi convidado para um outro programa do qual Duda não poderia participar.
Duda liga chorando por ter sido trocada pelo primo e Mariana, desesperada, entra em ação contatando os pais das outras crianças para incluir a filha no programa. Diz ela, indignada, que isso é uma sacanagem com Duda, que é criança e não entende.
Eu fico me perguntando se a Duda não deveria aceitar o fato do Pedrinho querer fazer outras coisas. Ou se Pedrinho, que já se tinha comprometido a ficar com Duda, não deveria ter deixado a prima na mão. Talvez fosse melhor a mãe não se envolver e deixar Duda lidar com as decepções da vida. O que vocês acham?
Para quem ficou curioso, Duda foi prontamente incluída no programa logo após a intervenção de Mariana.

segunda-feira, 21 de julho de 2008


Música bela.
Mas, a propósito, a internet em geral não fica mais rápida quando o orkut sai do ar?
MAAAN! STOP being issuey!

domingo, 20 de julho de 2008

Doming:

Particípio presente (em inglês) do verbo to dome, que vem do latim domus, casa. "I'm doming" quer dizer "estou em casa, descansando das dificuldades da semana". Em inglês, assim, permaneceu a diferença entre o referido verbo e o dia da semana, Sunday. Em português, no entanto, temos apenas o dia da semana e nos esquecemos de descançar.
Assim sendo, vamos aos estudos. :|

Um adendo, segundos depois, enquanto releio o post: descançar escrito assim é proveniente de outra raiz etimológica. Não está errado, OK?

poeta Roseana Murray




NOVELO

Com fina linha prateada
o sonhador borda a sua vida:
na fronteira entre o dia e a noite,
entre uma estrela e outra,
uma palavra e sua sombra,
ergue um castelo de vento,
desfralda as bandeiras da paz.

(Tirado DAQUI, onde tem mais.)

sábado, 19 de julho de 2008

Vontade de um rodízio de massas. Pesadas, com muito creme de leite.
E bacon.
E ovos. Queijo, molho branco... tudo bem quentinho. :)

quarta-feira, 16 de julho de 2008


Na sua oponião, estudei sem parar quando era criança e mais tarde escrevi sem parar. Ora, nem de longe isso é verdade. Pode-se dizer, pelo contrário, com muito menos exagero, que estudei pouco e não aprendi nada; não é de admirar muito que alguma coisa tenha ficado, em tantos anos, com uma memória mediana e uma capacidade de compreensão que não é das piores; mas de qualquer forma o resultado geral em conhecimento, e sobretudo em fundamentação do conhecimento, é extremamente lastimável diante do dispêndio de tempo e dinheiro, principalmente em comparação com quase todas as pessoas que eu conheço. É lastimável, mas para mim compreensível.
Em tais circunstâncias, que me importavam as aulas? Quem era capaz de arrancar de mim uma fagulha de interesse? Para mim as aulas - e não só elas, mas tudo em volta, nessa idade decisiva - interessavam mais ou menos como interessam a um funcionário de banco que deu um desfalque, mas que ainda está no emprego e treme de medo de ser descoberto, as pequenas operações correntes do negócio bancário que ele ainda precisa realizar como funcionário.
Mas em certo sentido isso me sabia bem - justamente como antes, num certo sentido, também o secundário e, mais tarde, a profissão de burocrata, pois tudo correspondia perfeitamente à minha situação. Seja como for, mostrei aqui uma previsão espantosa: quando menino já tinha pressentimentos suficientemente claros a respeito de estudos e profissão. A partir daí não esperava nenhuma salvação, fazia muito tempo que havia renunciado a ela.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Acabo de ler. O bigode se foi, com ele o sangue a carne, o osso. Me oprime o silêncio.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Descobri ontem que Yale oferece alguns cursos online. Sem provas, sem notas, sem contato. Você baixa as aulas, seja em html, mp3 ou avi. Tenho descoberto que ler 100 páginas por semana em uma matéria é algo fora do comum em Yale. E que nota máxima não quer dizer publicável. Isso tudo é muito diferente (e mais tranqüilo) do que o que certos professores que querem conferir importância a seus cursos tornando-os incrivelmente exigentes fazem. Esse aí é um cara considerado harsh grader:
Now look, I was an undergraduate once. And I know what it is to write a typical undergraduate paper. You sit down the night before and you had a couple of ideas. You thought about it maybe for a half an hour. And you meant to get to it sooner, but you had a lot of other things to do. And you throw it off in a couple of hours and maybe stay up late. You know it's not the worst thing you ever wrote, and it's not the best thing you ever wrote, and it has a couple of nice ideas, but maybe it could be better. It's sort of a satisfactory job. Yale says satisfactory means C. So many of you will start off the semester writing that kind of paper.

sábado, 12 de julho de 2008

A atriz:

- Mas é tão grande a solidão! Quero ouvir palavras de acalanto e tu me falas do perigo de tentar fugir desta solidão, de estender a mão a quem encontre. Dizes-me que muitas vezes é preciso atacar ao invés de acariciar. Nesse momento vejo a tua garra, oculta no teu traje de magistrado imortal. Não ataques também a mim, não sou tua inimiga. Recordo-me que tu me havias dito antes de tudo que precisavas de “companheiros de viagem, e vivos e não de companheiros mortos e cadáveres” [7] que carregavas contigo. Quero ser tua companheira, também. Mas tu não queres minha companhia, isso não mudará teu caminho, porque já estás nele, enquanto que eu procuro o meu pelas vielas tortuosas do meu pensamento, da minha vida e da minha morte em vida.


(Trecho do belíssimoNietzsche e o “Caminho do Criador”: um breve interlúdio entre a atriz e o filósofo

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Citando Nietzsche com um pouco de distorsão: não é sinal de pouca humanidade recusar-se a pensar sobre as pessoas.
(Repetir como um mantra.)

Mamãe

"Filho, me lembrei agora: sonhei com Nadal essa noite. Ele estava aqui em casa, jogando ping-pong com a gente, para treinar." ^^
E ele termina o último trabalho do semestre às duas da manhã do próprio aniversáriooooo! (Música do Senna toca ao fundo)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vovó


Quando durmo na casa dela, às vezes, antes de dormir, ela me fala: "Boa noite, sonhe com os anjinhos puxando seu rabinho". Da última vez, ela estava com um pouco de sono e se confundiu: "Sonhe com os anjinhos comendo... [então ela fez uma pausa crítica para pensar] cachorro-quente".
"Tá, Yá, você ia falar 'comendo seu rabinho'! Eu percebi!"
[LOL]

PS: Ela é MUITO mais legal que a dona arlinda, valeu?

domingo, 6 de julho de 2008

Sobre Cegueira


Eu quero ver o filme, claro. Assim que sair. Não li ESSE do Saramago, mas sei que não é um science fiction vagabundo. E dá um medinho de ter virado um suspense tecnológico tosco. Mas é só o trailer, claro, e trailers mentem. É tipo aquele texto na 4º capa do DVD que sempre tem uma catchy sentence no final do tipo "e suas vidas nunca mais serão as mesmas".

Diálogo hipotético

E.Z., professora lá da faculdade, professa uma babaquice (no caderno Prosa e Verso do Globo): Se Bentinho representa o patriarcalismo, Capitu é a insubmissão, que não se curva. Ela é vítima da violência não só do machismo mas de classe também. Machado já introduzia aí a discussão sobre a questão da mulher. Com ela esse tema ganha complexidade.
Mestre Moura ratifica: É ou não é verdade?
Manuel questiona: É e não é verdade!

domingo, 29 de junho de 2008

23 de novembro

Poderei afirmar que estou sozinho? Percorro com o olhar - e com a imaginação -, lento, minhas fileiras de livros, os que li e os que ainda estão por ler, os que desejo ardentemente ler. Fenômeno jamais apreendido na sua integridade o desses sinais legíveis (quantos?), pousados entre as páginas como nuvens de pequenas mariposas e que só por um milagre continuam imóveis. Será verdade, como nos assegura um apócrifo de são João, que, no Juízo Final, todas as palavras voarão dos livros, inclusive as dos livros destruídos? Mágica revoada! Não diz o códice se, nos livros que narram, voarão as palavras e andarão pela Terra as personagens: heróis, comparsas e bichos. Para mim, essa hora muitas vzes tem soado, e os romances que já li abrem a não sei que desvão do meu ser as suas portas seladas. Quanto aos outros, permanecem invioláveis e eu contemplo-os do exterior, entre sobressaltado e insciente. Que escondem? Hão de revelar-me algum segredo? Estará a meu lado, aguardando só o gesto, simples, de os colher dessa árvore, um sumo fundamental?

(Osman Lins, A rainha dos cárceres da Grécia)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

para agradar a marina

alguma pessoas fariam bem in being less hot and stopping posting cute pictures all around.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

The whole day at home and not a single call from a friend.
I'm not too sure I should be happy about it. Seriously.
é. eu acabo de sem querer foder com meu layout.

matando aula

Porque segunda feira virou o pior dia da semana depois que as aulas de FundItal acabaram prematuramente. Ainda por cima, não tinha mais LitIngle, só sobrou inglês. Segunda-feira, sete e meia da manhã, sintaxe COM SEMINÁRIOS. Não é pra ir, né?
Aí eu fico em casa lendo e, no meio do banho (porque é sempre no banho que eu penso), começo a pensar no prejuízo de matar a aula, por ter tirado 8,6 na primeira prova, etc...
No final das contas, a culpa não é grande porque na minha cabeça inglês não é matéria para notas altas mesmo. Concluí que nunca tirei um nove em inglês - a não ser no inglês 5, considerado o mais difícil. Isso diz algo sobre mim?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

blog NÃO É lugar de letra de música, estão ouvindo?

IT'S NOT UP TO YOU

I wake up
and the day feels broken
I tilt my head
I'm trying to get an angle

'Cause the evening
I've always longed for
it could still happen

How do I master
the perfect day
six glasses of water
seven phonecalls

If you leave it alone
it might just happen
anyway

It's not up to you - well, it never really was...

If you wake up
and the day feels a-broken
just lean into the crack
and it will tremble
ever so nicely
notice
how it sparkles
down there

I can decide what I give
but it's not up to me
what I get given

Unthinkable surprises
about to happen
but what they are

It's not up to you
well, it never really was...

There's too much
clinging
to peak
there's too much
pressure

poética: preguiça e insistência

variações sobre um cavalo madruguento

pasta noite adentro
o cavalo só no campo
claro de lua cheia
***
o cavalo branco
pasta madrugada adentro
a mesma lua cheia
***
um cavalo branco,
lua cheia, campo claro:
o mesmo pastar

Há uma hora na vida de um homem em que ele deve

mandar o orkut à merda.
" Today's fortune: Your love life will be happy and harmonious"

domingo, 15 de junho de 2008

Diálogos de Grey's Anatomy

Talvez o seriado seja uma merda. Mas alguns diálogos me mostram coisas. Vou levar pra analista quarta-feira.
O primeiro são duas amigas discutindo por que uma não contou à outra que estava saindo com um cara.

Erica: I don't... make friends easily. I'm awkward and am bad at small talk and generally don't like people I don't know... but I made friends with you and now you have this thing and that thing is Sloan.
Callie: Are you mad that I'm sleeping with Mark Sloan?
Erica: I'm not mad you're sleeping with Sloan. I'm mad that you didn't tell me that you're sleeping with Sloan. I'm mad at you. Because instead of telling me and admitting that you're one of those girls who goes all pouffy when she gets a boyfriend, you disappear with your thing ... I don't make friends easily.

***

A japa (Yang) descobre que o ex-noivo ganhou um prêmio importante pela pesquisa que ela ajudou ele a desenvolver e não lhe deu nenhum crédito. Frustrada, vai para o necrotério trabalhar com cadáveres para chill out. A menininha tenda ajudar e ela canta Like a virgin, da Madonna.

Depois chega a amiga, Meredith, que tenta conversar e TAMBÉM é ignorada. Até o momento em que se mostra triste. Aí a Yang se sente melhor:
Meredith: You're gonna win your own Harper Avery Award. . . Burke wouldn't have a career if it wasn't for you . . . the Harper Avery committee may not have known it, but he does. . .
(Até aqui, totalmente ignorada)
Meredith: I'm in therapy! Cause he's with Rose, I'm way more screwed up that you.
Cristina: Thank you. That makes me feel a little better. (E foi sincero, de verdade. Eu teria feito exatamento o mesmo. Do começo ao fim.)

Minutos depois, acrescento um terceiro diálogo:

Hahn: It’s because I don’t have a penis, isn’t it? I publish more, I do double the research, I deserve this award more than Burke. It's a big man's club and it's not fair.
Callie: Huh…I didn’t even know you were being considered.
Hahn: I wasn’t going to mention it until I won, and then I was going to be all nonchalant, like awards don’t really matter.

É exatamente o que eu faço. Putz.

segunda-feira, 2 de junho de 2008


Aliás, ao escrever esses dois livros, não buscamos separar totalmente os dois pontos de vista. As imagens não são conceitos. Não se isolam em em sua significação. A imaginação nesse caso é multifuncional. Para considerarmos apenas osdois aspectos que acabamos de distinguir, eis que é precios reuni-los. De fato, pode-se sentir em açãoa, em muitas imagens materiais da terras, uma síntese ambivalente que une dialeticamente o contra e o dentro, e mostra uma inegável solidariedade entre os processos de extroversão e os processos de introversão. Já nos primeiros capítulos de nosso livro A terra e os devaneios da vontade, mostramos com que gana a imaginação desejaria esquadrinhar a matéria. Todas as grandes forças humanas, mesmo quando se manifestam exteriormente, são imaginadas em uma intimidade.
Portanto, assim como no livro anterior não deixamos de notar, por ocasião das imagens encontradas, tudo o que se prende à intimidade da matéria, não esqueceremos, na presente obra, o que se prende a uma imaginação da hostilidade da matéria.
Se nos objetassem que a introversão e a extroversão devem ser designadas a partir do sujeito, responderíamos que a imaginação nada mais é senão o sujeito transportado às coisas. As imagens trazem a marca do sujeito. E essa marca é tão clara que, afinal, é pelas imagens que se pode obter o dignóticos mais seguro do temperamento.

BACHELARD, G. A terra e os devaneios do repouso.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

post segredo

O exaustor do banheiro soa sobre meus ouvidos. Diz-me ele que o ar muda, que respiro vigor novo de ar novo. Mas será o próprio airar do exaustor uma limitação porque é sempre do exaustor?
Como, na busca de meu próprio, permitir que outros me apontem caminhos? Justo agora que intuía, justo agora que acreditava estar no seio da atmosfera pura da questão. A pergunta do outro é sempre intromissão, e, assim, nego-a. Mas também é sempre possibilidade de abertura e escuta.
Quando se diz que falar ajuda a organizar o que se sente, oponho a pergunta: mas organizar já não desfaz a desordem própria do que se sente? Ou o sentir já é organizado sem que eu saiba? Não devo buscar a desilusão de não pertencer a um sistema? Pertenço e não pertenço, e por isso devo me permitir a carência. A busca do caminho é sempre solitária, sim, mas caminhos se cruzam, ainda que no infinito.
Talvez seja isso que me atraia nos outros que se me dizem paralelos: a possibilidade de encontrar-nos no infinito e extraordinário que nos possibilita mudar. Mas a questão persiste: o ar de meu banheiro é ou não é viciado? Como perceber o viciamento do ar quando só caibo eu no banheiro?
É preciso alternar posições: "isso mesmo, entre no meu banheiro, mas ele é inegavelmente meu, sempre". Mas não é isso inevitável? A propriedade de mim mesmo não me pode ser tomada -- ou ao menos não deveria deixar que assim fosse. Ao mesmo tempo, não se foge do co-habitar. O máximo -- e o mínimo obrigatório -- que se pode fazer um ao outro é in-ter-ferir, ou seja, levar para dentro do outro, do desconhecido, do infinito finito ou finito infinito do horizonte que não cessa de dar nova luz, novo dia, nova-vida-sempre-a-mesma.
O problema de novo: não habitamos o infinito, embora o habitemos. Não se mede nem se diz certamente o infinito; no máximo, se o pode intuir. Mas daí se corre sempre o risco de se perder dentro das certezas de um banheiro. Mas se perder é o mais necessário para quem não quer deixar que a terceira perna nasça novamente, transformando-me em tripé estável e imóvel.
Quero experimentar os limites de meu silêncio, do próprio muco originário que me habita pré-humanamente. Mas, mais uma vez, não posso. Ser humano é estar sempre limitado pela abertura do sendo, é sempre ver apenas o que se dá a ver, é não conhecer a floresta por dar-se sempre na e como clareira. É preciso abrir-me a ver: auscultar, ir ao estrangeiro outro -- o paralelo -- para que me aponte e espante o infinito de mim mesmo. E -- ah -- que dor! É grande ouvir; é se abrir ao mostrar-se e, ainda mais, àquilo que nos aponta o amado paralelo.
Eu sei, eu sei, amar é abrir mão de mim mesmo. Já me falaram da tal de pequena morte. Mas ninguém nunca me disse que abrir mão de "eu" para compreender o "ti" é sempre ser-me mais, porque é alargar-me ao outro indefinidamente.
Sistematizar, no entanto, é preciso. Fingir -- fingere -- é preciso. Necessito de forma para a não-forma e da não-forma para a forma. Resta sempre ouvir-me-te ultimamente. Navegar é imprecisamente preciso, sempre. Lanço-me ao mar ao máximo -- ou busco-o, se é que há máximo, já que não sei dizê-lo, mínimo que sou --, mas sou homem, volto à terra. Quisera a glória de ser anfíbio: ser o verde que escala a secura do baobá espinhoso sem perder a virtude e humildade de lançar-se à água, sempre habitando a borda de mim-ti mesmo. Mas não sou rã.
Sinto ter alcançado a dor última. Ainda, só faço sentir em minha própria minimez de percepção. Incerteza...

sábado, 17 de maio de 2008

algumas reflexões na companhia de GH

Vejo que meu último porto seguro só pode ser: eu. Primeiro e último porto de mim mesmo: a tempestade. É sempre o que me resta: o doloroso abismo, o todo que permanece depois do descosimento. Mas que abismo é esse que nem me admite o pronome:meu abismo. Que privilégio: ser. Que horror: ser...

domingo, 11 de maio de 2008

Surfista ecológico


Iniciativa/idéia do meu tio para reaproveitar a borracha da sandália e não perder pés-de-pato plásticos e poluentes no mar.

sábado, 10 de maio de 2008


quinta-feira, 8 de maio de 2008

você acha que água no ouvido é ruim? experimenta água no ouvido no 12º andar.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

- então, o que achou?
- (crítica).
- não poderia ser diferente.
- mas então por que pergunta?

domingo, 4 de maio de 2008

about an engraçated night

all the exquisite people make pegation, except for the three of us. I take toks from straight guys.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

ficções

minha mãe agora entrou na onda de usar sabonete líquido. a marca? "flower, by kevin". qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

sábado, 26 de abril de 2008

macache

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dá licença. Eu só queria vir aqui contar que escrevi idiosyncrasies de primeira no Word agora. Sem errar.
PS: Não me peçam para fazer o mesmo em português.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Literatura Comparada

Então. Aí tem esse filme aí, que você tem que assistir para entender a comparação:

Aí, agora você vê os 15 primeiros segundos desse filme, com especial atenção ao canto direito da tela.

Pronto, com direito a rabinho. Entendeu?

sábado, 19 de abril de 2008

I take the red pill



every morning.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Já tem uns anos; talvez desde os 16. Eu sei que isso volta, sempre, em geral mais forte. E eu vou ficando mais ridículo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Today's fortune: You will pass a difficult test that will make you happier

aaaaaaaaaaaah, orkut! como te amo!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

ah, as polissemias... :P

Marina says (20:48):
Cara. Flip este ano vai ser em homenagem a Machado.
Juhn says (20:48):
claro.
vou na mala do dau.

sábado, 29 de março de 2008

Tempo, poesia, liberdade

Não é todo dia que se acha uma preciosidade dessas sem querer no google.
Por isso, eu acho que um dos temas da poesia de Márcio-André, que é o make it new, pode estar sendo tributário da tradição metafísica ocidental, que define a coisa, como matéria e forma. Então, se forma uma falsa antinomia: ou predomina o conteúdo, ou predomina a forma? Ou predomina a forma para haver conteúdo? Nem uma coisa, nem outra. Porque o essencial, na minha perspectiva, é deixar a coisa falar. Deixar a coisa falar. Como? Deixar-se assediar pelo silêncio da coisa. Deixar-se assediar pela memória, a mãe de todas as musas. Deixar-se assediar pela linguagem, a mãe de todas as línguas. Por isso, é importante ver o percurso que cada um está fazendo. Porque, afinal de contas, ninguém nasce feito. A liberdade não existe! A liberdade não existe! A liberdade é uma conquista. Só há libertação. E isso eu concordo inteiramente com a professora Cinda. Nós fizemos este percurso das Invasões Bárbaras, não é Cinda? Quer dizer, nós temos que conquistar esta liberdade, ela nunca nos é dada de antemão. Nós também não vamos pensar que no final ela nos vai chegar. Ela nos chega a cada segundo, a cada momento, a cada poema que vocês fazem.
CLIQUE AQUI PARA CONFERIR O TEXTO NA ÍNTEGRA.
COMO ASSIM cada um no seu quadrado? não entendi e intenção do autor.

sexta-feira, 28 de março de 2008



Everybody: we all live in a yellow submarine, yellow submarine, yellow submarine...
once you start having friends, I don't know if life gets easier or a lot harder, but you just can't walk back from that point.
A minha alegria depende se um número (talvez excessivo) de fatores que dificilmente alcança minhas expectativas. And that makes life pretty miserable, to be honest.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Eu detesto essa mania que o personare tem de acertar.
Momento de estar com os amigos. No período que vai de 25/03 (ontem) às 15h a 28/03 às 9h, o Sol se encontrará na Casa 3 e a Lua na Casa 11, e os dois astros estarão em harmonia. Seu sentimento de bem-estar emocional estará associado aos seus amigos queridos, aos grupos em que você aprecia estar. Este é um momento particularmente propício para se unir a outras pessoas com objetivos em comum, ou simplesmente para vocês terem momentos de prazer e diversão em conjunto. É bem possível que alguma pessoa amiga venha a lhe ajudar com seus problemas neste momento, ou mesmo você irá ajudar algum amigo muito querido neste momento. Este período favorece as trocas, as ajudas mútuas. É incrível como os problemas sérios dos outros podem ser resolvidos por nós com grande facilidade, e vice-versa! Neste ciclo, você compreenderá que nunca estamos sós quando temos amigos que nos querem bem. É possível também que pessoas queridas que há muito tempo você não vê surjam novamente, com alguma mensagem pra lhe passar: tenha atenção!

domingo, 23 de março de 2008

Rugrats

Lembra daquele desenho Os Anjinhos? Vários bebês simpáticos aprontando confusões de montão de manhã no SBT? Lembra daquela Angelica malvadona que sacaneava eles sempre? Tá, agora eu vou contar: o nome em inglês é Rugrats = rug rats. Os ratões do tapete.

eu nunca me esqueci desse diálogo em Everwood. hoje fui mostrar pra Marina e achei digno de guardar.
Ephram: Yea, that is how it happened. That's how it always happens. Your first choice doesn't come through so you come find me -- your back up plan.
Amy: Ephram, I never think of you in that way.
Ephram: Maybe not intentionally,.. I mean, don't you realize that makes it even worse. It's like you don't even realize how much that hurts somebody. How much that hurts me.
Amy: Look, I'm sorry if--
Ephram: No. No, I'm sorry. Alright, look, Amy I know your life is really rough right now. And I want to be there for you. I do. But not like this. I can't keep being you're second choice. Not when you're my first.

sexta-feira, 21 de março de 2008


Todos nós sabemos que o adágio, o provérbio consagrado de toda a escolástica medieval, tanto cristã quanto muçulmana quanto judaica, era nemo dat quod non habet, i.é., ninguém dá o que não tem. É claro: se eu não tenho um anel nesse bolso, não posso dar um anel para ninguém. Isso nos remete a quê? Como pode então Platão dizer que só se pode dar o que não se tem, mas não o que se tem? O entendimento de ninguém poder dar o que não tem só vale para as coisas prontas e acabadas, para os conteúdos já constituídos, para os objetos e as realidades que já estão disponíveis prontos. Nesse tipo de relacionamento [com os objetos e as realidades], vale o princípio do adágio escolástico de que ninguém pode dar o que não tem. Um anel, por exemplo, é uma coisa pronta e acabada, então, para poder dar um anel a alguém, é preciso tê-lo. No entanto, nas relações entre os níveis dinâmicos de realização dos seres e das coisas, muda de figura o princípio e o adágio de que ninguém pode dar o que não tem. Aí é que não se pode dar senão o que não se tem. E em que sentido isso se dá? Dá-se nas relações vivas, que se realizam continuamente no ininterrupto vir a ser e vir a conquistar-se a si mesmo, em que ninguém pode dar o que tem, mas só o que não tem, já que quem desse o que tem não daria, mas tiraria do outro a condição de ser outro e, com isso, toda a possibilidade de receber. Para alguém receber XXX(de mim?) alguma coisa no nível do relacionamento de convivência, no nível de encontros e desencontros entre a criatividade e a transformação das pessoas, é condição de possibilidade que todo receber supõe a preservação da diferença de um em relação a outro. É por isso que quem desse o que tem não daria, mas tiraria do outro a condição de ser outro e toda e qualquer possibilidade de receber, que todos nós já devemos ter conosco e trazer junto com nosso próprio ser.
A maneira com que cada um recebe é exclusiva e própria de cada um e, por isso, para poder aceitar qualquer coisa, temos já de dispor dessa modalidade e dinâmica própria e exclusiva de receber, que é o desdobramento de uma única palavra. Essa palavra é sempre pronunciada na singularidade e não se altera com cada uma de suas repetições e suas formulações, mas se alimenta de suas próprias entranhas para poder possibilitar a acolhida de um encontro que respeita a alteridade do outro e que não pode, por mais que queira, alterar a diversidade e a condição de ser o outro de todos os outros. É isso que constitui o grande desafio e a grande provocação que nos deixou Platão com essa formulação de que ninguém pode dar o que tem, mas só o que não tem. A chamada doutrina (ou teoria) das idéias, portanto, não é de Platão, mas provém e se formulou ao longo da história da filosofia ocidental a partir de uma incompreensão radical de todo ser humano, de todos nós.
Essa incompreensão, sempre e para sempre, nos dificulta ver a realidade em todo real e em qualquer irreal, e obstrui sempre e para sempre tanto a presença quanto a ausência de um ideal e sua idealidade em todas as coisas. É isso que Platão pressiona e acentua com a necessidade insubstituível da idéia, da doação da idéia. Assim, por exemplo, quando alguém se pergunta onde está e existe a universidade ideal – e todos nós fazemos essa pergunta toda vez que queremos questionar e criticar a universidade real – não nos damos conta de que, ao perguntar e para poder perguntar assim, já supomos o ideal e a idealidade de toda universidade. Por isso, a resposta à pergunta é: toda universidade é ideal toda vez que é criticada. Na crítica da universidade real opera e está presente a universidade ideal. Se não estivesse presente e se não houvesse essa ligação com o ideal de universidade, ninguém poderia criticar, registrar nem experimentar que a universidade real deixa a desejar e não cumpre nem exerce totalmente a sua idealidade, o seu ideal de universidade.


Prof. Emmanuel Carneiro Leão, em uma conferência na UERJ ano passado.

quarta-feira, 19 de março de 2008


quarta-feira, 12 de março de 2008

saldo da semana


- algumas aulas dadas ruins, outras melhores.
- um primo de aluna morto em tiroteio.
- uma bronca escrota de orientador.
- uma briga com a secretária da dentista e uma desistência da dentista.
- uma série de matérias escrotas.
- alguns papos ouvidos que me fazem questionar o quanto os amigos are really there.
- muitos momentos de inadequação.
- muitos momentos de pensar que eu sou sempre o amigo chato que conversa sobre os problemas.
- uma sensação horrenda e inexplicável ao ouvir que uma professora tem câncer e faz quimioterapia.
- muitas lágrimas voluntária ou involuntariamente contidas.
- uma vontade enorme de sumir dessa vida.

cara, tá foda. E eu odeio d** b*****.

domingo, 9 de março de 2008


Então alguém resolveu escrever sobre aquela figura arquetípica que todos nós conhecemos de todas as nossas aulas na faculdade: o cara que sabe tudo e tem sempre algum comentário a fazer.
HANOVER, NH—According to students enrolled in professor Michael Rosenthal's Philosophy 101 course at Dartmouth College, that guy, Darrin Floen, the one who sits at the back of the class and acts like he's Aristotle, seriously needs to shut the fuck up.
His fellow students describe Floen's frequent comments as eager, interested, and incredibly annoying.
Clique aqui para ler o resto da notícia. Eu confesso que costumo detestar algumas pessoas que se comportam assim, mas ao mesmo tempo creio que sou uma delas em algumas aulas e sou igualmente detestado por isso.

quinta-feira, 6 de março de 2008

tudo o que você me disser será usado contra mim. mais cedo ou mais tarde, pode deixar que eu não esqueço.

quarta-feira, 5 de março de 2008

can't deal


segunda-feira, 3 de março de 2008

some of the people I wanted the most to see today are trying quite hard to convince me that I don't like them. and I just have to admit they are doing a hell of a good job.

domingo, 2 de março de 2008



Essa noite sonhei com todas as pessoas que abandonei/me abandonaram. A importância não era o sujeito da ação, mas o que, no abandono, se perdeu. Todas elas apareceram e ou pediram desculpas ou agiram normalmente ou nos reconciliamos. Acordei aliviado, como se não tivesse mais problema nem rancor de nenhuma delas.

sábado, 1 de março de 2008

oh really?

Today's fortune: You are next in line for promotion in your firm

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

e é claro que as pessoas dizem que vão ligar e não ligam. minha mãe me disse a vida inteira que sentimento não se declara; se demonstra.
"I need some good surgery."

x + 1


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

e mais um (um dos meus preferidos)


Tal como agora nos educam, adquirimos primeiro uma segunda natureza: e a temos quando o mundo nos considera maduros, maiores de idade, utilizáveis. Alguns poucos são cobras o bastante para um dia desfazer-se dessa pele: quando, sob seu invólucro, sua primeira natureza tornou-se madura. Na maioria, o gérmen dela ressecou.
Nietzsche, once more.

Depois de MESES procurando por esse trecho no diabo, do livro, hoje achei sem querer procurando por outro.
Às vezes notamos que um de nossos amigos pertence mais a outro do que a nós, que sua delicadeza atormenta-se com tal decisão e seu egoísmo não se acha à altura dela: então devemos facilitar-lhe a coisa de afastá-lo de nós com uma ofensa. -- Isso é igualmente necessário quando adotamos uma forma de pensar que lhe seria ruinosa: nosso amor a ele deve nos impelir, mediante uma injustiça que assumimos, a criar nele uma boa consciência ao renuncia a nós.

WAY TOO GOOD and WAY TOO BAD, man! Nietzsche, Friedrich. Aurora.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


e hoje eu entendi aquela professora de matemática da sétima série que chorou em sala de aula.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sobre a revista Veja

algo belo



O no-break do meu computador (que nem é um no-break de verdade porque desliga sempre que falta luz e só serve para apitar, mas isso merece um post à parte) fica no chão, embaixo da mesa, encostado na parede oposta a mim. Aí eu sempre brigo um pouco com ele para esticar os pés aqui, porque ele fica no caminho. Tem uns dias que descobri que colocar ele no meio dos pés é a melhor opção.
Agora há pouco, encostei o lado dos pés nele e descobri que é quentinho e gostoso. Já tenho fonte de calor para o inverno.

RABIOLA


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Kyle Little, um jovem britânico de 19 anos, foi levado à corte sob acusação de latir para dois cachorros.


Em dezembro passado, ele foi considerado culpado da acusação de atacar a ordem pública e condenado a pagar multa de 50 libras. As informações são do jornal The Sun.

O adolescente, que já havia recebido uma advertência da polícia de Newcastle por comportamento abusado, latiu para dois cães labradores quando passava em frente a uma casa.

Dois policiais o detiveram. Juízes condenaram o jovem por causar confusão, alarme e estresse aos cachorros, apesar de a dona deles não ter registrado queixa. Kyle apelou da decisão em instância superior.

Na última sexta-feira (27) uma corte superior cancelou a decisão anterior. O custo total do caso chegou a 8 mil libras.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

*later on: hip·py1 /ˈhɪpi/ Pronunciation Key - Show Spelled Pronunciation[hip-ee] Pronunciation Key - Show IPA Pronunciation
–adjective, -pi·er, -pi·est.
having big hips.

ele se arruma e vai comentando em inglês com sotaque britânico carregado: "not these, not these, not these, too dark... these make me look... qual seria a palavra para cadeirudo? hmm... hip... hippy? right, they make me look hippy."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

hosrelógios


- O relógio do meu quarto está marcando nove e quinze, o da sala marca nove e vinte, o do meu celular marca nove e vinte-cinco e o da cozinha deve estar marcando alguma outra coisa.
- Acho ótimo, mãe. Apóio a variedade e liberdade dos relógios.
- Diversidade, você quer dizer?
- É.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mais uma das minhas longas citações do livro que estou lendo. Qualquer semelhança com isto é mera coincidência.
Agora deixa eu correr ali que hoje começo com minha turminha de 16 megeros pirralhos.
E cada vez que arrancava uma máscara, que via ruir um ideal, cada um desses acontecimentos era precedido por um silêncio e um vazio cruéis, por um mortal isolamento e ausência de relações, um triste e sombrio inferno que agora de novo tinha de enfrentar.
Não posso negar que após cada uma dessas comoções de minha vida, no final sempre me restava algum proveito, um pouco mais de liberdade, de espiritualidade, de profundidade, mas também de isolamento, de incompreensão, de frigidez. Vista do ângulo burguês, minha vida fora, de uma a outra dessas comoções, uma permanente descida, um afastamento cada vez maior do normal, do permitido, do são. Ao longo de alguns anos fiquei sem trabalho, sem família, sem lar; estava à margem de qualquer grupo social, sozinho, sem o amor de ninguém; inspitava suspeita a muitos, estava em contínuo e amargo conflito com a opinião e a moral públicas, e embora continuasse vivendo na esfera burguesa, era, todavida, por minha maneira de pensar e de sentir, um estranho nesse mundo. Religião e pátria, família e Estado careciam de significação para mim e já nada me importava; a presunção da ciência, das profissões, das artes, me causava asco; meus pontos de vista, meu gosto, todo o meu pensamento, com o que em outras épocas brilhara como homem bem conceituado, tudo estava agora abandonado e embrutecido e causava suspeita a muita gente. Se em todas as minhas dolorosas transmutações adquirira algo de indizível e imponderável, caro tivera de pagá-lo, e em cada uma delas minha vida se tornara mais dura, mais difícil, mais solitária e perigosa. Na verdade não tinha nenhum motivo para desejar a continuação deste caminho que me conduzia a atmosferas cada vez mais rarefeitas, semelhantes àquela fumação da Canção de outono, de Nietzsche.
Ah, sim, já conhecia estes acontecimentos, essas transformações que o Destino reserva aos seus flhos diletos, aos mais difíceis de contentar; conhecia-os demasiadamente bem. Conhecia-os como um caçador diligente mas sem sorte conhece as etapas de uma caçada, como um velho jogador de Bolsa pode conhecer as etapas da especulação, do lucro, da insegurança, da insolvência, da bancarrota. Teria de voltar a sofrer tudo aquilo? Todo esse tormento, toda essa extraviada necessidade, todos esses olhares de vileza e pouco valor do próprio eu, toda essa terrível angústia diante do sucumbir, todo esse temor da morte? Não era mais prudente e simples impedir a repetição de tanta dor e sair de cena?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"very pain in the mouth", como diria um de meus alunos. somando-se a isso o barulho do baile funk a uma quadra da minha casa e as pessoas que voltam do baile funk gritando na minha janela, não consigo dormir. e não tem uma alma que seja no msn com quem eu possa conversar e ver se o sono pinta. :(

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Recebi um spam do astrology.com com o assunto "Will he surprise you?". Someone please tell them there's no he.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

I just had to



Mas a idéia é dela, que colocou aquela caneca no canto. Quer fazer igual?

ê, carnaval!

Estou eu acompanhando a BandNews com a minha mãe enquanto como sorvete e faço uma pausa no trabalho no computador. A Vai Vai ganhou em São Paulo. Reproduzo a fala como me lembro: "O samba-enredo era baseado na peça de Fulano de Tal, que conta a história de um rapaz que morre em um tiroteio porque o pai, evangélico, não o deixou estudar música. A escola venceu com a idéia de que a educação é a base de tudo." Alguém entendeu?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

se fosse matemática e cartesiana, seria assim:



mas estaria fácil demais.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Em tempos de muita porrada, minha tendência (nos momentos otimistas, claro) foi, no passado, buscar me concentrar em outras coisas, outros interesses, outras atenções.
A questão é: não consigo pensar em nada que me interesse agora.

domingo, 27 de janeiro de 2008

"Porque, afinal, meu celular não tem mais números gravados nem mensagens, e a vontade sincera é de atirá-lo varanda abaixo. Desconfio que talvez não seja bem a queda do celular a desejada. Imagino o corpo em queda e então não seria como submersão, em que se pode voltar à tona. É assustador e delicioso o vento batendo no rosto, como se voasse.
Parece que, a cada tentativa e invariável erro, o buraco é mais fundo e a crise mais forte. E eu vou me desligando do orkut, do msn, das coisas, das pessoas. Quando menos falta sinto delas, menos falta sinto de mim, menos e menos indispensável."
***
"Heidegger diz que não penso, e de fato, enquanto não o leio após tê-lo uma vez lido, pouco me parece que pensemos eu, Foucault, Nietzsche. Parece, de fato, que pensar cuidadosamente - redundância preguiçosa - só se faz quando se pensa o ser, ou , ainda, que o ser nos pede cuidado com o que quer que se pense. Difícil fica saber qual tema não é o ser.
Mas quero ter alguma preguiça e não pensar, ou ao menos tentar ter alguma, enquanto meu cuidado de perfeccionista permitir. Quero ter preguiça e pensar mesquinhamente a moral do Nietzsche. Quero saber se sou ou não sou um ressentido no final das contas. Quero saber se existe ser ou não ressentido sempre, pois me incomoda sê-lo muitas vezes por mais que o evite.
Me incomoda ser o ressentido que não sabe dar um fim ao que me incomoda. Me incomoda o sentimento de back-up friend que, ao mesmo tempo, parece não ter fundamento algum longe de minhas neuroses. Me incomoda não me livrar da obsessão de pensar o que outro pense, de até pensar pelo outro - e D. Corleone acha isso tão útil. Como me livrar da ânsia de viver pelos outros e tornar-lhes a vida mais aprazível, ainda que apenas àqueles que mais amo?
A solidão espreita e, o que é pior, não me parece assim tão ruim agora que passar dias e dias na cama não me é mais estranho. A vida de doente é cada vez mais cômoda, e não me assusta tanto assim ser sozinho (e de nada tenho mais medo nesse mundo).
Cada decepção é uma decepação. Fujo para casa e elimino sites, orkuts, as chamadas extensões de mim mesmo. E me pergunto enfim o que farei quando não houver mais nada a delere além desse meu corpo."
Essa descida assustadora me acompanha há alguns anos. De tempos em tempos cresce a intensidade, talvez a cada emocionante looping - como em uma montanha-russa - siga-se uma grande descida, mas mais provável mesmo é que não haja causalidade alguma e o brinquedo seja um chocalho, cujos grãos sacodem randomicamente enquanto se chocam um com os outros. Talvez seja mesmo um chocalho, mas um chocalho em queda, que afinal se esborrachará no chão, inevitavelmente.
Minha natureza pró-ativa, por um lado, não me deixa ignorar o compromisso profissional de assinar um contrato com meus futuros patrões amanhã para ficar na cama extendendo a bolha da tristeza ao máximo até que exploda e eu possa dela sair, consciente de que o tubinho de sabão está no bolso pronto para soprar uma nova. Um sentimento parecido me impede de recusar convites de amigos que eu gosto de ver, mas que, talvez, meu momento atual peça evitar.
Ao mesmo tempo, a natureza pró-ativa me diz que o mais seguro é apanhar o chocalho em queda, pingar-lhe algumas gotinhas de ácido, amarrar-lhe um pesinho de chumbo e acelerar sua inevitável queda e destruição.
A natureza pró-ativa me ajuda a resolver racionalmente muitos problemas. Principalmente o dos outros. Olhando o meu próprio penso que nunca resolvi o de ninguém.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O universo como espelho

O senhor Palomar sofre muito por causa das suas dificuldades nas relações com o próximo. Inveja as pessoas que têm o dom de encontrar sempre a coisa certa para dizer, o modo certo de se dirigir a cada um; que estão à vontade com quem quer que se encontrem e que põem os outros à vontade; que, movendo-se com ligeireza entre as pessoas, compreendem imediatamente quando se devem defender e tomar as suas distâncias e quando devem ganhar a simpatia e a confiança dos outros; que dão o melhor de si próprias na relação com os outros e que levam os outros a dar o seu melhor; que sabem logo quando podem contar com uma pessoa, em relação a si próprios e em termos absolutos.

"Estes dotes - pensa Palomar com o desgosto de quem não os tem - são coisas concedidas a quem vive em harmonia com o mundo. A esses sucede estabelecer naturalmente um acordo, não só com as pessoas mas também com as coisas, com os lugares, as situações e as ocasiões, com o deslizar das constelações no firmamento, com o agregar dos átomos nas moléculas. Aquela avalancha de acontecimentos simultâneos a que chamamos universo não derruba quem tem a sorte de saber escapar através dos interstícios mais finos, por entre as infinitas combinações, permutações e cadeias de consequências, evitando as trajectórias dos mortíferos meteoritos e interceptando em voo os raios benéficos. Para quem é amigo do universo, o universo é amigo. Pudesse alguma vez - suspira Palomar - ser eu também assim."

Decide-se a experimentar imitá-los. Todos os seus esforços, de agora em diante, irão no sentido de alcançar uma harmonia, quer com o género humano que lhe está próximo, quer com a espiral mais longínqua do sistema das galáxias. Para começar, dado que com o seu próximo tem demasiados problemas, Palomar procurará melhorar as suas relações com o universo. Afasta e reduz ao mínimo a convivência com os seus semelhantes; habitua-se a criar o vazio na sua mente, expelindo para fora dela todas as presenças indiscretas; observa o céu nas noites de estrelas; lê livros de astronomia, familiariza-se com a ideia dos espaços siderais, até que esta ideia se torna um ornamento permanente da sua decoração mental. Em seguida procura fazer com que os seus pensamentos tenham em conta contemporaneamente as coisas mais próximas e as mais longínquas; quando acende o cachimbo, a atenção pela chama do amorfo que na próxima puxada deveria deixar-se aspirar até ao fundo do fornilho, dando início à lenta transformação em brasa dos fios de tabaco, não o deve fazer esquecer, nem sequer por um instante, a explosão de uma supernova, que se está a produzir na Grande Nuvem de Magalhães, nesse mesmo momento, ou seja, há alguns milhões de anos. A ideia de que tudo no universo se liga e se corresponde nunca o abandona: uma variação de luminosidade na Nebulosa do Caranguejo ou o adensar de uma acumulação globular em Andrómeda não podem deixar de ter uma influência qualquer no funcionamento do seu gira-discos ou sobre a frescura das folhas de agrião no seu prato de salada.

Quando se convence de ter delimitado exactamente o seu próprio lugar no meio da muda extensão das coisas que vogam no vazio, entre a poeira dos acontecimentos actuais ou possíveis que paira no espaço e no tempo, Palomar decide que chegou o momento de aplicar esta sabedoria cósmica à sua relação com os seus semelhantes. Apressa-se a regressar à vida social, reata conhecimentos, amizades, relações de negócios, submete a um minucioso exame de consciência as suas ligações e os seus afectos. Espera ver estender-se diante de si uma paisagem humana finalmente nítida e clara, sem nevoeiros, na qual ele poderá mover-se com gestos precisos e seguros. Será assim? Nada disso. Começa a embrenhar-se numa embrulhada de mal-entendidos, vacilações, compromissos, actos falhados; as questões mais fúteis tornam-se angustiantes, as mais graves tornam-se banais, perdem importância; tudo aquilo que ele diz ou faz revela-se desastrado, descabido, irresoluto. O que será que não funciona?

Isto: contemplando os astros, ele habituou-se a considerar-se como um ponto anónimo e incorpóreo, quase se esquecendo de que existe; agora, para lidar com os seres humanos, não pode deixar de se pôr em causa a si próprio, e o seu si próprio já ele não sabe onde se encontra. Face a cada pessoa, dever-se-ia saber como se situar em relação a ela, estar-se seguro da reacção que inspira em nós a presença do outro aversão ou atracção, ascendente recebido ou imposto, curiosidade ou indiferença, domínio ou sujeição, atitude de discípulo ou de mestre, espectáculo como actor ou como espectador - e, na base destas reacções e das contra-reacções do outro, estabelecer as regras que se devem aplicar no jogo, os movimentos e contramovimentos a fazer. Por tudo isto, antes mesmo de nos pormos a observar os outros, deveríamos saber bem quem somos nós. O conhecimento do próximo implica esta especificidade: passa necessariamente através do conhecimento de nós próprios; e é exactamente isto que falta a Palomar. Não é só o conhecimento que é necessário, mas também a compreensão, o acordo com os nossos próprios meios e fins e pulsões, o que significa a possibilidade de exercer um domínio sobre as nossas próprias inclinações e acções, que as controle e dirija, mas que não as limite nem as sufoque. As pessoas em quem ele admira a correcção e naturalidade de cada palavra e de cada gesto, antes mesmo de estarem em paz com o universo, estão em paz consigo próprias. Palomar, ao não se amar, tem sempre procedido de maneira a não se encontrar consigo próprio cara-a-cara; é por isso que preferiu refugiar-se entre as galáxias; percebe agora que era pelo encontrar de uma paz interior que devia ter começado. O universo pode talvez estar tranquilo por sua conta; ele certamente não.

O caminho que lhe resta aberto é este: dedicar-se-á, a partir de agora, ao conhecimento de si próprio, explorará a sua própria geografia interior, traçará o gráfico dos movimentos do seu estado de espírito, extrairá dele as fórmulas e os teoremas, apontará o seu telescópio para as órbitas traçadas pelo curso da sua vida, em vez de o apontar para as constelações. "Não podemos conhecer nada que nos seja exterior passando por cima de nós próprios - pensa ele agora - o universo é o espelho no qual podemos contemplar apenas aquilo que aprendemos a conhecer em nós próprios. "

E agora, também esta nova fase do seu itinerário em busca da sabedoria acaba por se realizar. Finalmente, ele poderá abraçar com o seu olhar tudo o que está dentro de si. Que poderá ver? Parecer-lhe-á o seu mundo interior como o calmo e imenso rodar de uma espiral luminosa? Verá navegar em silêncio estrelas e planetas sobre as pálpebras e as elipses que determinam o carácter e o destino? Contemplará uma esfera de circunferência infinita que tem o eu por centro e o centro em cada ponto?

Abre os olhos. O que surge diante do seu olhar parece-lhe algo que viu já todos os dias: ruas cheias de pessoas que têm pressa e que abrem caminho à cotovelada, sem se olharem na cara umas das outras, por entre altas paredes cheias de arestas e de gretas. Ao fundo, o céu cheio de estrelas envia clarões intermitentes, como se fosse um mecanismo encravado, que estremece e range em todas as suas juntas mal oleadas, postos avançados de um universo periclitante, torcido, sem descanso tal como ele.

Italo Calvino, Palomar. Desconheço a edição porque li no original (cara de pedante).