Só a Lanika sabe quantas vezes eu já comentei esse diálogo aí pela vida. Ou não, mas muita gente já me ouviu falar dele.
Ephram: Yea, that is how it happened. That's how it always happens. Your first choice doesn't come through so you come find me -- your back up plan.
Amy: Ephram, I never think of you in that way.
Ephram: Maybe not intentionally,.. I mean, don't you realize that makes it even worse. It's like you don't even realize how much that hurts somebody. How much that hurts me.
Amy: Look, I'm sorry if--
Ephram: No. No, I'm sorry. Alright, look, Amy I know your life is really rough right now. And I want to be there for you. I do. But not like this. I can't keep being you're second choice. Not when you're my first.
Eis que esses dias me coloquei a repensá-lo, e percebi que nunca tinha notado algo fundamental que sempre passou discretamente pelo meu olhar afoito: o tom do Ephram não é de queixa nem de pedido. Ele se levanta e sai andando; é uma tomada de atitude de quem daquele momento em diante toma consciência da situação e vai realizar uma mudança por conta própria. Ele não pede que ela seja mais cuidadosa, mais presente, mais atenta. Ele reconhece que ela não pode ser assim naquele momento e ele vai ter que procurar outra pessoa.
Aliás, meu lado afoito transpareceu ontem no shopping. Entro na loja, tentando evitar encarar vendedores, mas uma logo se lança no meu caminho, me cumprimenta.
- Oi, eu vou comprar cuecas, então posso ir direto ao balcão. Você me acompanha?
- Ué, essa fala é minha! Eu que tenho que falar "você me acompanha?" para os cliente.
"Gente ansiosa é assim", pensei mas não falei. E pensei nessa ansiedade louca que está sempre dez metros à minha frente cumprimentando as pessoas e dando pinta nos lugares que freqüento ou possa freqüentar. Não só faz isso, como já vai se interessando profundamente ou desprezando de cara as pessoas que cruzam meu caminho. Tomei notas antes de começar o filme:
"Curioso como me preocupo com apontar padronizações e de imediato desprezar suas vítimas. Posso estar enganado, mas temo estar deixando de perceber singularidade. Talvez seja esse meu grande problema, ou uma das facetas dele.
Seria ele também só meu? Essa sede de generalização ainda me mata. Ou já está matando
Beckett me seduz com seu desespero enquanto um estranho me aborda no café pobre do shopping para contar que leu o Godot em francês." Nesse momento acabou a tinta da caneta, mas posso continuar: olhei para a cara dele, concordei com qualquer coisa que ele falou, tomei meu café correndo e saí andando para a fila da sessão, é claro. Alguém que me aborda no meio do meu café não pode ser alguém normal muito menos interessante.
E o filme do Ensaio sobre a cegueira não chega a ser grande coisa. Tudo bem, nós não vemos nada, de fato, não vemos. Mas é só isso. O livro deve ser melhor, assim como a peça que vi era bem melhor. Aquela ceninha de susto, as sujeiras espalhadas pelo chão, nem o estupro chegam a convencer como um todo de obra de arte mesmo.
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