Aliás, ao escrever esses dois livros, não buscamos separar totalmente os dois pontos de vista. As imagens não são conceitos. Não se isolam em em sua significação. A imaginação nesse caso é multifuncional. Para considerarmos apenas osdois aspectos que acabamos de distinguir, eis que é precios reuni-los. De fato, pode-se sentir em açãoa, em muitas imagens materiais da terras, uma síntese ambivalente que une dialeticamente o contra e o dentro, e mostra uma inegável solidariedade entre os processos de extroversão e os processos de introversão. Já nos primeiros capítulos de nosso livro A terra e os devaneios da vontade, mostramos com que gana a imaginação desejaria esquadrinhar a matéria. Todas as grandes forças humanas, mesmo quando se manifestam exteriormente, são imaginadas em uma intimidade.
Portanto, assim como no livro anterior não deixamos de notar, por ocasião das imagens encontradas, tudo o que se prende à intimidade da matéria, não esqueceremos, na presente obra, o que se prende a uma imaginação da hostilidade da matéria.
Se nos objetassem que a introversão e a extroversão devem ser designadas a partir do sujeito, responderíamos que a imaginação nada mais é senão o sujeito transportado às coisas. As imagens trazem a marca do sujeito. E essa marca é tão clara que, afinal, é pelas imagens que se pode obter o dignóticos mais seguro do temperamento.
BACHELARD, G. A terra e os devaneios do repouso.
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