sábado, 6 de setembro de 2008

Se um dia eu fizesse um filme - e eu já planejei esse cenário mais de uma vez - a cena inicial enquadraria uma janela de ônibus. Através dela, mais de perto, estariam passando os postes do muro da ponte. No fundo, escura, a cidade do Rio de Janeiro de luzes acesas como a vê quem volta para Niterói. A trilha sonora seria Radiohead, em um momento de solo frenético de Paranoid Android. Ou Electioneering. O protagonista por cujos olhos a câmera registra a cena revidaria um tapa em Clarissa Vaughan, dizendo "This IS happiness, it's not only the beginning and it's not gone. This is still happiness." Pouco a pouco as luzes amarelas, vermelhas e verdes passariam, e as substituiriam os longos cargueiros vazios que cruzam a baía no início da noite, polarizando as luzes do mar escuro pontilhado por miúdos reflexos lunares.
Ao fim da ponte, ver-se-ia uma lua crecente no céu. Seu sorriso amarelado saber-se-ia ser do diabo, e o protagonista se sentiria privilegiado por habitar a Terra, jogado nos deliciosos pecados de quem vive.
E tudo isso seria só o gostinho de quem teria acabado de perceber que as grandes aventuras estão aí esperando que as descubra, mesmo em um simples jogo de video-game abanadonado desde a infância. Ou então uma onda - a crista da onda - de cerveja com café.