
Na sua oponião, estudei sem parar quando era criança e mais tarde escrevi sem parar. Ora, nem de longe isso é verdade. Pode-se dizer, pelo contrário, com muito menos exagero, que estudei pouco e não aprendi nada; não é de admirar muito que alguma coisa tenha ficado, em tantos anos, com uma memória mediana e uma capacidade de compreensão que não é das piores; mas de qualquer forma o resultado geral em conhecimento, e sobretudo em fundamentação do conhecimento, é extremamente lastimável diante do dispêndio de tempo e dinheiro, principalmente em comparação com quase todas as pessoas que eu conheço. É lastimável, mas para mim compreensível.
Em tais circunstâncias, que me importavam as aulas? Quem era capaz de arrancar de mim uma fagulha de interesse? Para mim as aulas - e não só elas, mas tudo em volta, nessa idade decisiva - interessavam mais ou menos como interessam a um funcionário de banco que deu um desfalque, mas que ainda está no emprego e treme de medo de ser descoberto, as pequenas operações correntes do negócio bancário que ele ainda precisa realizar como funcionário.
Mas em certo sentido isso me sabia bem - justamente como antes, num certo sentido, também o secundário e, mais tarde, a profissão de burocrata, pois tudo correspondia perfeitamente à minha situação. Seja como for, mostrei aqui uma previsão espantosa: quando menino já tinha pressentimentos suficientemente claros a respeito de estudos e profissão. A partir daí não esperava nenhuma salvação, fazia muito tempo que havia renunciado a ela.
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