domingo, 27 de julho de 2008

surpresa

Descobrir que conheço melhor o relevo do controle-remoto do DVD que a superfície da mão de qualquer um de meus amigos.

sábado, 26 de julho de 2008

Beim Schlafengehen


Composição de Richard Strauss, Poema de Herman Hesse, Voz de Jessye Norman

Nun der Tag mich müde gemacht,
soll mein sehnlichstes Verlangen
freundlich die Gestirne Nacht
wie ein müdes Kind empfangen.
Hände laßt von allem Tun,
Stirn vergiß du alles Denken,
alle meine Sinne nun
wollen sich in Schlummer senken.
Und die Seele unbewacht
will in freien Flügen schweben,
um im Zauberkreis der Nacht
tief und tausendfach zu leben.

Desgosto da terra, esse solo no qual me enraizo tenaz por esse corpo pesado. A atração é tão forte que me surgem hérnias.
Sonho com solos lunares de leveza e desprendimento.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Mais sobre professores babacas

Eu e uma amiga conversando sobre um certo "monstro mundial da língüística aplicada" que dá aulas na minha faculdade. O cara exige que todos os alunos leiam todos os textos para a aula, ou...

eu:
se ele descobrir que vocÊ não leu o que acontece?
a prova é em inglês?
ela: depende do dia
eu: :s
ela: ou ele da escândalo e te marca ou te manda pra fora.
- manda pra fora? tipo 5a série? gente, que babaca.
e se eu não sair?
- aí vc n passa. ele marca seu nome. vc vai ser alfinetado um pouquinho ao longo do semestre.
- caraaalho. que babaaaaca. ninguém bate nele?
- se n leu, nem vá.
ninguém. o CV dele é tão longo quanto um rolo de papel higiênico
- e tem a mesma funcionalidade, né?

A cura do amor

Ao final, se não houver outro remédio, peçamos a ajuda e o conselho das velhas a fim que a difamem [à mulher amada] e a desonrem... Procure-se assim uma velha de aspecto asquerosíssimo, com grandes dentes e barba, com um vestido feio e vil, e que traga abaixo do ventre um pano sujo de menstruação; chegada à presença da amada, que comece a desalinhar-lhe a camisa dizendo que é sovina e bêbada, que mija na cama, que é epilética e desavergonhada, que no seu corpo há exrescências enormes, cheias de fedor, e outras porcarias com que as velhas estão familiarizadas. Se com isso não tiver ficado persuadido, então a velha tire fora improvisamente o pano menstrual sob o seu rosto, gritando: assim é a tua amiga, assim. E se nem mesmo com isso ele for induzido a esquecê-la, então não é um homem, mas um diabo encarnado...

Bernardo Gordonio, Lilium medicinale

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fìgado (de pelúcia)


Tô aceitando.

Programas

Eu e minha mãe passamos na loja de minha prima Mariana hoje. No meio do bate-papo, liga a filha de Mariana, Duda, de sete anos, chorando. Pelo que pude entender, um outro primo, Pedrinho, tinha ido passar o dia com ela, que deixou de fazer outras coisas para ficar na companhia do primo. E eis que de repente Pedrinho foi convidado para um outro programa do qual Duda não poderia participar.
Duda liga chorando por ter sido trocada pelo primo e Mariana, desesperada, entra em ação contatando os pais das outras crianças para incluir a filha no programa. Diz ela, indignada, que isso é uma sacanagem com Duda, que é criança e não entende.
Eu fico me perguntando se a Duda não deveria aceitar o fato do Pedrinho querer fazer outras coisas. Ou se Pedrinho, que já se tinha comprometido a ficar com Duda, não deveria ter deixado a prima na mão. Talvez fosse melhor a mãe não se envolver e deixar Duda lidar com as decepções da vida. O que vocês acham?
Para quem ficou curioso, Duda foi prontamente incluída no programa logo após a intervenção de Mariana.

segunda-feira, 21 de julho de 2008


Música bela.
Mas, a propósito, a internet em geral não fica mais rápida quando o orkut sai do ar?
MAAAN! STOP being issuey!

domingo, 20 de julho de 2008

Doming:

Particípio presente (em inglês) do verbo to dome, que vem do latim domus, casa. "I'm doming" quer dizer "estou em casa, descansando das dificuldades da semana". Em inglês, assim, permaneceu a diferença entre o referido verbo e o dia da semana, Sunday. Em português, no entanto, temos apenas o dia da semana e nos esquecemos de descançar.
Assim sendo, vamos aos estudos. :|

Um adendo, segundos depois, enquanto releio o post: descançar escrito assim é proveniente de outra raiz etimológica. Não está errado, OK?

poeta Roseana Murray




NOVELO

Com fina linha prateada
o sonhador borda a sua vida:
na fronteira entre o dia e a noite,
entre uma estrela e outra,
uma palavra e sua sombra,
ergue um castelo de vento,
desfralda as bandeiras da paz.

(Tirado DAQUI, onde tem mais.)

sábado, 19 de julho de 2008

Vontade de um rodízio de massas. Pesadas, com muito creme de leite.
E bacon.
E ovos. Queijo, molho branco... tudo bem quentinho. :)

quarta-feira, 16 de julho de 2008


Na sua oponião, estudei sem parar quando era criança e mais tarde escrevi sem parar. Ora, nem de longe isso é verdade. Pode-se dizer, pelo contrário, com muito menos exagero, que estudei pouco e não aprendi nada; não é de admirar muito que alguma coisa tenha ficado, em tantos anos, com uma memória mediana e uma capacidade de compreensão que não é das piores; mas de qualquer forma o resultado geral em conhecimento, e sobretudo em fundamentação do conhecimento, é extremamente lastimável diante do dispêndio de tempo e dinheiro, principalmente em comparação com quase todas as pessoas que eu conheço. É lastimável, mas para mim compreensível.
Em tais circunstâncias, que me importavam as aulas? Quem era capaz de arrancar de mim uma fagulha de interesse? Para mim as aulas - e não só elas, mas tudo em volta, nessa idade decisiva - interessavam mais ou menos como interessam a um funcionário de banco que deu um desfalque, mas que ainda está no emprego e treme de medo de ser descoberto, as pequenas operações correntes do negócio bancário que ele ainda precisa realizar como funcionário.
Mas em certo sentido isso me sabia bem - justamente como antes, num certo sentido, também o secundário e, mais tarde, a profissão de burocrata, pois tudo correspondia perfeitamente à minha situação. Seja como for, mostrei aqui uma previsão espantosa: quando menino já tinha pressentimentos suficientemente claros a respeito de estudos e profissão. A partir daí não esperava nenhuma salvação, fazia muito tempo que havia renunciado a ela.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Acabo de ler. O bigode se foi, com ele o sangue a carne, o osso. Me oprime o silêncio.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Descobri ontem que Yale oferece alguns cursos online. Sem provas, sem notas, sem contato. Você baixa as aulas, seja em html, mp3 ou avi. Tenho descoberto que ler 100 páginas por semana em uma matéria é algo fora do comum em Yale. E que nota máxima não quer dizer publicável. Isso tudo é muito diferente (e mais tranqüilo) do que o que certos professores que querem conferir importância a seus cursos tornando-os incrivelmente exigentes fazem. Esse aí é um cara considerado harsh grader:
Now look, I was an undergraduate once. And I know what it is to write a typical undergraduate paper. You sit down the night before and you had a couple of ideas. You thought about it maybe for a half an hour. And you meant to get to it sooner, but you had a lot of other things to do. And you throw it off in a couple of hours and maybe stay up late. You know it's not the worst thing you ever wrote, and it's not the best thing you ever wrote, and it has a couple of nice ideas, but maybe it could be better. It's sort of a satisfactory job. Yale says satisfactory means C. So many of you will start off the semester writing that kind of paper.

sábado, 12 de julho de 2008

A atriz:

- Mas é tão grande a solidão! Quero ouvir palavras de acalanto e tu me falas do perigo de tentar fugir desta solidão, de estender a mão a quem encontre. Dizes-me que muitas vezes é preciso atacar ao invés de acariciar. Nesse momento vejo a tua garra, oculta no teu traje de magistrado imortal. Não ataques também a mim, não sou tua inimiga. Recordo-me que tu me havias dito antes de tudo que precisavas de “companheiros de viagem, e vivos e não de companheiros mortos e cadáveres” [7] que carregavas contigo. Quero ser tua companheira, também. Mas tu não queres minha companhia, isso não mudará teu caminho, porque já estás nele, enquanto que eu procuro o meu pelas vielas tortuosas do meu pensamento, da minha vida e da minha morte em vida.


(Trecho do belíssimoNietzsche e o “Caminho do Criador”: um breve interlúdio entre a atriz e o filósofo

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Citando Nietzsche com um pouco de distorsão: não é sinal de pouca humanidade recusar-se a pensar sobre as pessoas.
(Repetir como um mantra.)

Mamãe

"Filho, me lembrei agora: sonhei com Nadal essa noite. Ele estava aqui em casa, jogando ping-pong com a gente, para treinar." ^^
E ele termina o último trabalho do semestre às duas da manhã do próprio aniversáriooooo! (Música do Senna toca ao fundo)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vovó


Quando durmo na casa dela, às vezes, antes de dormir, ela me fala: "Boa noite, sonhe com os anjinhos puxando seu rabinho". Da última vez, ela estava com um pouco de sono e se confundiu: "Sonhe com os anjinhos comendo... [então ela fez uma pausa crítica para pensar] cachorro-quente".
"Tá, Yá, você ia falar 'comendo seu rabinho'! Eu percebi!"
[LOL]

PS: Ela é MUITO mais legal que a dona arlinda, valeu?

domingo, 6 de julho de 2008

Sobre Cegueira


Eu quero ver o filme, claro. Assim que sair. Não li ESSE do Saramago, mas sei que não é um science fiction vagabundo. E dá um medinho de ter virado um suspense tecnológico tosco. Mas é só o trailer, claro, e trailers mentem. É tipo aquele texto na 4º capa do DVD que sempre tem uma catchy sentence no final do tipo "e suas vidas nunca mais serão as mesmas".

Diálogo hipotético

E.Z., professora lá da faculdade, professa uma babaquice (no caderno Prosa e Verso do Globo): Se Bentinho representa o patriarcalismo, Capitu é a insubmissão, que não se curva. Ela é vítima da violência não só do machismo mas de classe também. Machado já introduzia aí a discussão sobre a questão da mulher. Com ela esse tema ganha complexidade.
Mestre Moura ratifica: É ou não é verdade?
Manuel questiona: É e não é verdade!