quinta-feira, 18 de junho de 2009

Acordei meio carente de solução pro mistério da vida. Sugestões nos comentários, por favor.

6 comentários:

Juliana disse...

Eu sugiro uma boa topada de dedo num canteiro. Faz você ver as coisas de outra forma. :D

André Lira disse...

"Always look on the briiiiight side of life.." tchuru, tchuru, tchuru tchuru tchuru.

Ou então:

"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo"

Marlon disse...

4

Toda consolação que a mente quer
é feita de acabar-se. Que ela queira
o que imagina ou partes do que houver,
tudo a abandona, tudo some à beira,

às vésperas da festa. É uma fogueira
ávida o que ela inventa, porque ser
é ir deixando de ser e a vida inteira
é isso, é um fulgurante anoitecer.

Bate na sombra a luz do corpo, é escuro
o jardim que ele habita, um vaga-lume
incapaz de passar daquele muro

que o sufoca e ele investe de um perfume,
de uma fosforescência que resume,
não resolve, o seu drama morituro.

14

Porque pertence ao instinto natural
desejar, cortejar o passageiro,
o coração em busca do real
é como um perdigueiro atrás do cheiro

fugitivo da vida, um perdigueiro
imaginando a presa. Mas o mal
do pensamento é abandonar o efêmero,
trocá-lo pelos ossos do Ideal,

e o pobre perdigueiro pouco a pouco
desiste da aventura da caçada
e desenterra um ossuário. Rouco

de ladrar noite adentro contra o nada,
no coração há um perdigueiro louco:
o que Uccelo soltou contra a alvorada.

Bruno Tolentino, em “O mundo como Idéia”

***

“Provavelmente porque o ser se intranqüiliza
de já não ser o que ia sendo; intensamente,
porque as fogueiras de um martírio impenitente
são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza;

e finalmente porque tudo o que agoniza
quer promulgar, solenizar o impermanente,
o coração, naquele fundo ambivalente
da coisa humana, momentâneo como a brisa,

mas persuadido de que as músicas da mente
hão de reter do ser algo mais que uma soma,
o coração vive das sombras de um aroma.

Só muito raramente esse iludido sente
a força de acordar antes que a luz cadente
o deixe louco como à mosca na redoma.”

Bruno Tolentino, Soneto I.1 de “A imitação do amanhecer”

***

IN PASSIM
Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era. É tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.
E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:
intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar-te à porta da saída,
pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas.
Bruno Tolentino, em “O mundo como Idéia”

Renata P. disse...

Álcool.

Leonardo Lusitano disse...

Pedindo licença ao Rosa:

Quando nada acontece, há um milagre que estamos sendo...

Anônimo disse...

Durma dias.Literalmente.