Com as palavras juntinhas assim como quem dorme agarradinho e se aquece nessas noites de primavera gelada e chuvosa. Mas o que tenho a falar deve ser sobre distância, que se coloca entre nós ao longo do dia e que tentamos compensar de tantas maneiras. Mensagens de celular, declarações freqüentes, conversas longas, opiniões e novidades, piadas internas e frases imitadas repetidas ad infinitum. Eu paro e me sinto um pouco Estragon e Vladimir, repetindo as mesmas perguntas e respostas, muitas vezes irrelacionadas, de quem mal ouve ao outro. Buscam ou buscamos um entendimento que não se alcança ao mesmo tempo em que a vontade de independência leva a freqüentes (ainda existe trema no meu mundo) propostas de separação nunca realizadas por completo por conta da dependência mútua entre nós, entre E e V (por coincidência as iniciais dos pronomes de primeira e terceira pessoa em português).
É como uma tentativa de sobreposição, de fazer com que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço. Talvez não seja isso problemático; talvez seja mais a anulação da diferença na busca de uma identificação total. Ou, pior, a crença de que toda a parafernália identitária em comum (a neighbourhood, a compatibilidade do gosto musical, os amigos ou inimigos) traga de fato alguma aproximação.
O que eu queria falar mesmo é dos interesses e fiquei enrolando vocês com esses parágrafos acima. Mentira: há uma ligação entre as duas coisas, mas não vejo ainda como explicitá-la. Vai ficar só na proximidade, vocês que façam as sinapses (e eu que nunca escrevi para leitores assim no plural). Mas o que eu queria falar é de como as pessoas da minha geração acabam meio definidas pela tribo, pelas bandas de que gostam, pelos lugares que freqüentam, e a etiqueta é tão forte que a gente se impressiona quando a diferença entre um e outro é tanta. Assim, na seqüência: 1) de se interessar por alguém, 2) olhar um perfil de orkut (ta lá: music, books, tv, cuisines) e 3) ficar ou decepcionado quando aparece, sei lá, um Saia Justa, ou embasbacado com um Davi Ostraikh. São tantas tags sobrepostas que fica difícil se relacionar com a pessoa lá atrás. As próprias moças do Saia Justa, outro dia, diziam que beleza não tem nada que ver com sexo. Makes me wonder o que tem a ver com sexo. O que as tags têm a fazer quando os corpos se despem desses adereços metafísicos todos. Mas o essencial permanece não dito, inclusive nesse meu texto safado. E cheio de pretençõesões sinápticas.
É como uma tentativa de sobreposição, de fazer com que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço. Talvez não seja isso problemático; talvez seja mais a anulação da diferença na busca de uma identificação total. Ou, pior, a crença de que toda a parafernália identitária em comum (a neighbourhood, a compatibilidade do gosto musical, os amigos ou inimigos) traga de fato alguma aproximação.
O que eu queria falar mesmo é dos interesses e fiquei enrolando vocês com esses parágrafos acima. Mentira: há uma ligação entre as duas coisas, mas não vejo ainda como explicitá-la. Vai ficar só na proximidade, vocês que façam as sinapses (e eu que nunca escrevi para leitores assim no plural). Mas o que eu queria falar é de como as pessoas da minha geração acabam meio definidas pela tribo, pelas bandas de que gostam, pelos lugares que freqüentam, e a etiqueta é tão forte que a gente se impressiona quando a diferença entre um e outro é tanta. Assim, na seqüência: 1) de se interessar por alguém, 2) olhar um perfil de orkut (ta lá: music, books, tv, cuisines) e 3) ficar ou decepcionado quando aparece, sei lá, um Saia Justa, ou embasbacado com um Davi Ostraikh. São tantas tags sobrepostas que fica difícil se relacionar com a pessoa lá atrás. As próprias moças do Saia Justa, outro dia, diziam que beleza não tem nada que ver com sexo. Makes me wonder o que tem a ver com sexo. O que as tags têm a fazer quando os corpos se despem desses adereços metafísicos todos. Mas o essencial permanece não dito, inclusive nesse meu texto safado. E cheio de pretençõesões sinápticas.
Um comentário:
"Me apaixono por profiles no orkut"... sempre :~
Postar um comentário