quarta-feira, 1 de junho de 2011

Wilde dava a bundinha

Cheguei em uma turma nova para dar aula de Dorian Gray. Eles não paravam de fazer bagunça, eu tive que jogar objetos na cabeça deles (tipo estojos). Uma aluna estava com o laptop ligado com o som alto, eu tomei o laptop dela sem dar maiores explicações.
Nessa brincadeira, eu já tinha perdido quase uma aula inteira. Eles continuavam fazendo barulho, eu comecei a batucar na mesa e improvisar um funk do Oscar Wilde, que inclui o verso que dá nome a esse post, e eles riram e prestaram atenção. O Tadeu inclusive estava sentado no fundo da sala se estragando de gargalhar, e eu tive a consciência do sucesso dos meus métodos educativos. Só que aí acabou a aula.
Na aula seguinte, eu comecei abrindo meu caderno com o plano de aula, consegui fazer todo mundo ficar quieto e de repente, quando eu me toquei, tinha três professores do meu departamento sentados na primeira fileira com caderninhos para me avaliar. Muito surpreso, os cumprimentei e, para descontrair, contei a eles sobre o funk improvisado na aula anterior. Ainda assim, a atmosfera era de tensão na turma, tanto que uma aluna estava se escondendo deles debaixo da minha mesa de professor. Gentilmente me desculpei e abandonei a sala, pois não me senti em condição de dar aula com aquela vigia. Depois planejei mandar e-mail a uma professora amiga relatando o ocorrido e questionando a ética daquela prática, mas acordei antes.

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