Penso que deve haver dois posicionamentos básicos nas relações entre os seres humanos.
Um deles pode ser representado pelo filósofo. Ao perceber as coisas, ele busca aqueles que ainda não as perceberam para divulgar seu conhecimento ou salvar os ignorantes da ilusão. Parece-me prepotente, impositivo, intervencionista.
O outro é o profeta, cujo dizer está sempre envolvido pelo não-dito. Isso pode se dar pela própria decisão do profeta, como no caso de Tirésias, que por um longo tempo hesita em contar a Édipo sobre sua genética complicada. Ou ainda pode se relacionar ao mistério mesmo das palavras proféticas, sempre ambíguas ao apenas apontar (como no frag. heraclítico 93). Valorizar o silêncio me parece sempre mais sábio.
A dificuldade vem quando vemos claramente as estruturas e os perigos subjacentes à presente situação de alguém querido - e isso nos planos mais díspares, como no político, no legal, no profissional, no emocional... - e morremos de vontade de ligar pra ele e falar: "Olha, tá errado, você não está percebendo isso, isso e isso."
Nessas horas, o que me salva é me perguntar: eu vejo claramente? Isso lá é possível?
E me respondo: a verdade é um desvelar autovelante (agora sem hífen). O aberto da clareira está sempre circundado pela all-pervading escuridão da floresta, de onde tudo pode surgir.
E assim me calo.
Um deles pode ser representado pelo filósofo. Ao perceber as coisas, ele busca aqueles que ainda não as perceberam para divulgar seu conhecimento ou salvar os ignorantes da ilusão. Parece-me prepotente, impositivo, intervencionista.
O outro é o profeta, cujo dizer está sempre envolvido pelo não-dito. Isso pode se dar pela própria decisão do profeta, como no caso de Tirésias, que por um longo tempo hesita em contar a Édipo sobre sua genética complicada. Ou ainda pode se relacionar ao mistério mesmo das palavras proféticas, sempre ambíguas ao apenas apontar (como no frag. heraclítico 93). Valorizar o silêncio me parece sempre mais sábio.
A dificuldade vem quando vemos claramente as estruturas e os perigos subjacentes à presente situação de alguém querido - e isso nos planos mais díspares, como no político, no legal, no profissional, no emocional... - e morremos de vontade de ligar pra ele e falar: "Olha, tá errado, você não está percebendo isso, isso e isso."
Nessas horas, o que me salva é me perguntar: eu vejo claramente? Isso lá é possível?
E me respondo: a verdade é um desvelar autovelante (agora sem hífen). O aberto da clareira está sempre circundado pela all-pervading escuridão da floresta, de onde tudo pode surgir.
E assim me calo.
Um comentário:
i can see cleeeeeeeearly now, the rain is gone!
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