Tá no repeat do meu MP3-p vagabundo. De babar.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
É uma pena que enviar as fotos por e-mail do celular as estrague tanto. Um dia meu cabo USB voltará a funcionar por intermédio divino e conseguirei fotos melhores.
É interessante a subida: a pressão atmosférica cai e parece que automaticamente a sanguínea sobe e os ouvidos vibram a cada batida do coração. Sozinho, ao redor só pedra íngreme, alguns arbustos e cactos e uma ave pernalta que provavelmente protegia um ninho fazendo cara feia para mim. Nos momentos em que a subida se torna mais lenta por causa da dificuldade, o medo aumenta e, curiosamente, urubus dançam ao meu redor no céu. Talvez o gostinho de estar lá, ou um dos gostinhos, seja a ilusão de vencer a morte. Confesso que pensei em zombar dos urubus, gritando: "Perdeu, play. Perdeu."
Ainda assim, a solidão me tomou de tal modo que, mesmo com caderno e caneta na mão, não consegui escrever. Fiquei lá, tonto e triste, buscando consolo em deitar e sentir aquele vento ininterrupto junto com a cor e o som do mar.
domingo, 26 de outubro de 2008
sábado, 25 de outubro de 2008
Duas horas da minha manhã de sábado a discutir com uma pessoa. Melhor dizendo, a ouvi-la falar coisas que eu não fazia a menor questão de ouvir. Orgulho-me por não ter simplesmente engolido o sapo, mas dito também o que queria dizer. Ainda assim, duas horas de audição literal acabam com minhas energias e minha pressão arterial, que deve ter ido a 2-0.
A vantagem é que fica mais forte em mim a convicção de que picuinhas devem ser tratadas como o que são: picuinhas. Não dar atenção, não responder à altura. Responder sem altura, 0 decibéis, só pensamento. Um nada diferente daquele ao qual me exauriu a discussão tola tola. Será que um dia aprendo?
Ephram volta à minha mente. Como torná-lo uma consciência permanente? Ou seria querer demais? Talvez o fato de não ter essa consciência permanente seja decisivo até mesmo para o possível aproveitamento das coisas. Ainda assim, aquela conversa à mesa da lanchonete ocorre de novo e de novo.
A vantagem é que fica mais forte em mim a convicção de que picuinhas devem ser tratadas como o que são: picuinhas. Não dar atenção, não responder à altura. Responder sem altura, 0 decibéis, só pensamento. Um nada diferente daquele ao qual me exauriu a discussão tola tola. Será que um dia aprendo?
Ephram volta à minha mente. Como torná-lo uma consciência permanente? Ou seria querer demais? Talvez o fato de não ter essa consciência permanente seja decisivo até mesmo para o possível aproveitamento das coisas. Ainda assim, aquela conversa à mesa da lanchonete ocorre de novo e de novo.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Falei hoje com um dos altos funcionários da editora Cemtilhai dir Nopsir hoje. FINALMENTE eles nos responderam e vão nos mandar uns livros para um trabalho que eu e uma amiga estamos fazendo para a Babnaepoci Licaelin. Parte da ligação foi provar para o tal Mircile que somos sérios e de fato não vamos pegar os livros para ler no final de semana. Parte da ligação é tentar torná-la casual e falar de coisas pessoais fingindo interesse na pessoa humana do outro. Aí ele me pergunta:
"Você teria algum documento que nos autorizasse a mandar os livros pro seu endereço pessoal? Porque esse endereço de Niterói é endereço pessoal de vocês, né?"
"É, mas conseguir mais do que a gente já mandou é difícil, porque o povo lá da BN é super complicado. Para conseguir passar um recado para a Cólai Pertolli levou duas semanas!"
"Ah, você não é funcionário da BN?"
"Não, eu sou da UFRJ. Da BN eu sou bolsista."
"Aaaah! Você é da UFRJ aí de Niterói, né? Ah, eu sei o nome, é a 'u éfe éfe', né?"
Tadinho. Achou que entendia de Geografia E de pronunciar siglas.
domingo, 12 de outubro de 2008
umpoucodeamornostempospós-modernos
Com as palavras juntinhas assim como quem dorme agarradinho e se aquece nessas noites de primavera gelada e chuvosa. Mas o que tenho a falar deve ser sobre distância, que se coloca entre nós ao longo do dia e que tentamos compensar de tantas maneiras. Mensagens de celular, declarações freqüentes, conversas longas, opiniões e novidades, piadas internas e frases imitadas repetidas ad infinitum. Eu paro e me sinto um pouco Estragon e Vladimir, repetindo as mesmas perguntas e respostas, muitas vezes irrelacionadas, de quem mal ouve ao outro. Buscam ou buscamos um entendimento que não se alcança ao mesmo tempo em que a vontade de independência leva a freqüentes (ainda existe trema no meu mundo) propostas de separação nunca realizadas por completo por conta da dependência mútua entre nós, entre E e V (por coincidência as iniciais dos pronomes de primeira e terceira pessoa em português).
É como uma tentativa de sobreposição, de fazer com que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço. Talvez não seja isso problemático; talvez seja mais a anulação da diferença na busca de uma identificação total. Ou, pior, a crença de que toda a parafernália identitária em comum (a neighbourhood, a compatibilidade do gosto musical, os amigos ou inimigos) traga de fato alguma aproximação.
O que eu queria falar mesmo é dos interesses e fiquei enrolando vocês com esses parágrafos acima. Mentira: há uma ligação entre as duas coisas, mas não vejo ainda como explicitá-la. Vai ficar só na proximidade, vocês que façam as sinapses (e eu que nunca escrevi para leitores assim no plural). Mas o que eu queria falar é de como as pessoas da minha geração acabam meio definidas pela tribo, pelas bandas de que gostam, pelos lugares que freqüentam, e a etiqueta é tão forte que a gente se impressiona quando a diferença entre um e outro é tanta. Assim, na seqüência: 1) de se interessar por alguém, 2) olhar um perfil de orkut (ta lá: music, books, tv, cuisines) e 3) ficar ou decepcionado quando aparece, sei lá, um Saia Justa, ou embasbacado com um Davi Ostraikh. São tantas tags sobrepostas que fica difícil se relacionar com a pessoa lá atrás. As próprias moças do Saia Justa, outro dia, diziam que beleza não tem nada que ver com sexo. Makes me wonder o que tem a ver com sexo. O que as tags têm a fazer quando os corpos se despem desses adereços metafísicos todos. Mas o essencial permanece não dito, inclusive nesse meu texto safado. E cheio de pretençõesões sinápticas.
É como uma tentativa de sobreposição, de fazer com que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço. Talvez não seja isso problemático; talvez seja mais a anulação da diferença na busca de uma identificação total. Ou, pior, a crença de que toda a parafernália identitária em comum (a neighbourhood, a compatibilidade do gosto musical, os amigos ou inimigos) traga de fato alguma aproximação.
O que eu queria falar mesmo é dos interesses e fiquei enrolando vocês com esses parágrafos acima. Mentira: há uma ligação entre as duas coisas, mas não vejo ainda como explicitá-la. Vai ficar só na proximidade, vocês que façam as sinapses (e eu que nunca escrevi para leitores assim no plural). Mas o que eu queria falar é de como as pessoas da minha geração acabam meio definidas pela tribo, pelas bandas de que gostam, pelos lugares que freqüentam, e a etiqueta é tão forte que a gente se impressiona quando a diferença entre um e outro é tanta. Assim, na seqüência: 1) de se interessar por alguém, 2) olhar um perfil de orkut (ta lá: music, books, tv, cuisines) e 3) ficar ou decepcionado quando aparece, sei lá, um Saia Justa, ou embasbacado com um Davi Ostraikh. São tantas tags sobrepostas que fica difícil se relacionar com a pessoa lá atrás. As próprias moças do Saia Justa, outro dia, diziam que beleza não tem nada que ver com sexo. Makes me wonder o que tem a ver com sexo. O que as tags têm a fazer quando os corpos se despem desses adereços metafísicos todos. Mas o essencial permanece não dito, inclusive nesse meu texto safado. E cheio de pretençõesões sinápticas.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Só a Lanika sabe quantas vezes eu já comentei esse diálogo aí pela vida. Ou não, mas muita gente já me ouviu falar dele.
Ephram: Yea, that is how it happened. That's how it always happens. Your first choice doesn't come through so you come find me -- your back up plan.
Amy: Ephram, I never think of you in that way.
Ephram: Maybe not intentionally,.. I mean, don't you realize that makes it even worse. It's like you don't even realize how much that hurts somebody. How much that hurts me.
Amy: Look, I'm sorry if--
Ephram: No. No, I'm sorry. Alright, look, Amy I know your life is really rough right now. And I want to be there for you. I do. But not like this. I can't keep being you're second choice. Not when you're my first.
Eis que esses dias me coloquei a repensá-lo, e percebi que nunca tinha notado algo fundamental que sempre passou discretamente pelo meu olhar afoito: o tom do Ephram não é de queixa nem de pedido. Ele se levanta e sai andando; é uma tomada de atitude de quem daquele momento em diante toma consciência da situação e vai realizar uma mudança por conta própria. Ele não pede que ela seja mais cuidadosa, mais presente, mais atenta. Ele reconhece que ela não pode ser assim naquele momento e ele vai ter que procurar outra pessoa.
Aliás, meu lado afoito transpareceu ontem no shopping. Entro na loja, tentando evitar encarar vendedores, mas uma logo se lança no meu caminho, me cumprimenta.
- Oi, eu vou comprar cuecas, então posso ir direto ao balcão. Você me acompanha?
- Ué, essa fala é minha! Eu que tenho que falar "você me acompanha?" para os cliente.
"Gente ansiosa é assim", pensei mas não falei. E pensei nessa ansiedade louca que está sempre dez metros à minha frente cumprimentando as pessoas e dando pinta nos lugares que freqüento ou possa freqüentar. Não só faz isso, como já vai se interessando profundamente ou desprezando de cara as pessoas que cruzam meu caminho. Tomei notas antes de começar o filme:
"Curioso como me preocupo com apontar padronizações e de imediato desprezar suas vítimas. Posso estar enganado, mas temo estar deixando de perceber singularidade. Talvez seja esse meu grande problema, ou uma das facetas dele.
Seria ele também só meu? Essa sede de generalização ainda me mata. Ou já está matando
Beckett me seduz com seu desespero enquanto um estranho me aborda no café pobre do shopping para contar que leu o Godot em francês." Nesse momento acabou a tinta da caneta, mas posso continuar: olhei para a cara dele, concordei com qualquer coisa que ele falou, tomei meu café correndo e saí andando para a fila da sessão, é claro. Alguém que me aborda no meio do meu café não pode ser alguém normal muito menos interessante.
E o filme do Ensaio sobre a cegueira não chega a ser grande coisa. Tudo bem, nós não vemos nada, de fato, não vemos. Mas é só isso. O livro deve ser melhor, assim como a peça que vi era bem melhor. Aquela ceninha de susto, as sujeiras espalhadas pelo chão, nem o estupro chegam a convencer como um todo de obra de arte mesmo.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
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