domingo, 29 de junho de 2008

23 de novembro

Poderei afirmar que estou sozinho? Percorro com o olhar - e com a imaginação -, lento, minhas fileiras de livros, os que li e os que ainda estão por ler, os que desejo ardentemente ler. Fenômeno jamais apreendido na sua integridade o desses sinais legíveis (quantos?), pousados entre as páginas como nuvens de pequenas mariposas e que só por um milagre continuam imóveis. Será verdade, como nos assegura um apócrifo de são João, que, no Juízo Final, todas as palavras voarão dos livros, inclusive as dos livros destruídos? Mágica revoada! Não diz o códice se, nos livros que narram, voarão as palavras e andarão pela Terra as personagens: heróis, comparsas e bichos. Para mim, essa hora muitas vzes tem soado, e os romances que já li abrem a não sei que desvão do meu ser as suas portas seladas. Quanto aos outros, permanecem invioláveis e eu contemplo-os do exterior, entre sobressaltado e insciente. Que escondem? Hão de revelar-me algum segredo? Estará a meu lado, aguardando só o gesto, simples, de os colher dessa árvore, um sumo fundamental?

(Osman Lins, A rainha dos cárceres da Grécia)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

para agradar a marina

alguma pessoas fariam bem in being less hot and stopping posting cute pictures all around.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

The whole day at home and not a single call from a friend.
I'm not too sure I should be happy about it. Seriously.
é. eu acabo de sem querer foder com meu layout.

matando aula

Porque segunda feira virou o pior dia da semana depois que as aulas de FundItal acabaram prematuramente. Ainda por cima, não tinha mais LitIngle, só sobrou inglês. Segunda-feira, sete e meia da manhã, sintaxe COM SEMINÁRIOS. Não é pra ir, né?
Aí eu fico em casa lendo e, no meio do banho (porque é sempre no banho que eu penso), começo a pensar no prejuízo de matar a aula, por ter tirado 8,6 na primeira prova, etc...
No final das contas, a culpa não é grande porque na minha cabeça inglês não é matéria para notas altas mesmo. Concluí que nunca tirei um nove em inglês - a não ser no inglês 5, considerado o mais difícil. Isso diz algo sobre mim?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

blog NÃO É lugar de letra de música, estão ouvindo?

IT'S NOT UP TO YOU

I wake up
and the day feels broken
I tilt my head
I'm trying to get an angle

'Cause the evening
I've always longed for
it could still happen

How do I master
the perfect day
six glasses of water
seven phonecalls

If you leave it alone
it might just happen
anyway

It's not up to you - well, it never really was...

If you wake up
and the day feels a-broken
just lean into the crack
and it will tremble
ever so nicely
notice
how it sparkles
down there

I can decide what I give
but it's not up to me
what I get given

Unthinkable surprises
about to happen
but what they are

It's not up to you
well, it never really was...

There's too much
clinging
to peak
there's too much
pressure

poética: preguiça e insistência

variações sobre um cavalo madruguento

pasta noite adentro
o cavalo só no campo
claro de lua cheia
***
o cavalo branco
pasta madrugada adentro
a mesma lua cheia
***
um cavalo branco,
lua cheia, campo claro:
o mesmo pastar

Há uma hora na vida de um homem em que ele deve

mandar o orkut à merda.
" Today's fortune: Your love life will be happy and harmonious"

domingo, 15 de junho de 2008

Diálogos de Grey's Anatomy

Talvez o seriado seja uma merda. Mas alguns diálogos me mostram coisas. Vou levar pra analista quarta-feira.
O primeiro são duas amigas discutindo por que uma não contou à outra que estava saindo com um cara.

Erica: I don't... make friends easily. I'm awkward and am bad at small talk and generally don't like people I don't know... but I made friends with you and now you have this thing and that thing is Sloan.
Callie: Are you mad that I'm sleeping with Mark Sloan?
Erica: I'm not mad you're sleeping with Sloan. I'm mad that you didn't tell me that you're sleeping with Sloan. I'm mad at you. Because instead of telling me and admitting that you're one of those girls who goes all pouffy when she gets a boyfriend, you disappear with your thing ... I don't make friends easily.

***

A japa (Yang) descobre que o ex-noivo ganhou um prêmio importante pela pesquisa que ela ajudou ele a desenvolver e não lhe deu nenhum crédito. Frustrada, vai para o necrotério trabalhar com cadáveres para chill out. A menininha tenda ajudar e ela canta Like a virgin, da Madonna.

Depois chega a amiga, Meredith, que tenta conversar e TAMBÉM é ignorada. Até o momento em que se mostra triste. Aí a Yang se sente melhor:
Meredith: You're gonna win your own Harper Avery Award. . . Burke wouldn't have a career if it wasn't for you . . . the Harper Avery committee may not have known it, but he does. . .
(Até aqui, totalmente ignorada)
Meredith: I'm in therapy! Cause he's with Rose, I'm way more screwed up that you.
Cristina: Thank you. That makes me feel a little better. (E foi sincero, de verdade. Eu teria feito exatamento o mesmo. Do começo ao fim.)

Minutos depois, acrescento um terceiro diálogo:

Hahn: It’s because I don’t have a penis, isn’t it? I publish more, I do double the research, I deserve this award more than Burke. It's a big man's club and it's not fair.
Callie: Huh…I didn’t even know you were being considered.
Hahn: I wasn’t going to mention it until I won, and then I was going to be all nonchalant, like awards don’t really matter.

É exatamente o que eu faço. Putz.

segunda-feira, 2 de junho de 2008


Aliás, ao escrever esses dois livros, não buscamos separar totalmente os dois pontos de vista. As imagens não são conceitos. Não se isolam em em sua significação. A imaginação nesse caso é multifuncional. Para considerarmos apenas osdois aspectos que acabamos de distinguir, eis que é precios reuni-los. De fato, pode-se sentir em açãoa, em muitas imagens materiais da terras, uma síntese ambivalente que une dialeticamente o contra e o dentro, e mostra uma inegável solidariedade entre os processos de extroversão e os processos de introversão. Já nos primeiros capítulos de nosso livro A terra e os devaneios da vontade, mostramos com que gana a imaginação desejaria esquadrinhar a matéria. Todas as grandes forças humanas, mesmo quando se manifestam exteriormente, são imaginadas em uma intimidade.
Portanto, assim como no livro anterior não deixamos de notar, por ocasião das imagens encontradas, tudo o que se prende à intimidade da matéria, não esqueceremos, na presente obra, o que se prende a uma imaginação da hostilidade da matéria.
Se nos objetassem que a introversão e a extroversão devem ser designadas a partir do sujeito, responderíamos que a imaginação nada mais é senão o sujeito transportado às coisas. As imagens trazem a marca do sujeito. E essa marca é tão clara que, afinal, é pelas imagens que se pode obter o dignóticos mais seguro do temperamento.

BACHELARD, G. A terra e os devaneios do repouso.