quarta-feira, 24 de novembro de 2010

sonhos de ansiedade e desespero

Online diz (9:28 PM):
eu ia dar aula
hoje
chegava lá, tinha uns professores sentados em mesas no meio do corredor principal jogando um jogo de cartas
o nome do jogo começava com G
era tipo gírio, gímio, sei lá.
um jogo que não existe.
e eles me chamavam pra jogar
Online diz (9:29 PM):
estavam o dau, o luiz paulo, a arlete e uns dois ou três mais de quem não lembro.
eu sentava lá, ficava jogando com eles...
de repente eu ia ver e já era 1h.
ou seja, já tinha acabado o meu horário de aula
e eu não fui dar aula.
aí eu fiquei pensando que não ia mais dar tempo de dar prova, ia ter que passar um trabalho pra casa...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Hoje eu

Vi um golfinho na baía de Guanabara, enquanto atravessava a ponte. Nem preciso dizer que quase não acredito.
Voltei de barca, sentado na varanda, pegando choviscos.
Vi aviões decolarem. Um que pousava passou por cima da barca, ensurdecendo a todos.
Vi um arco-íris quase inteiro cobrindo minha cidade.
Ouvi cigarras frenéticas na esquina na minha casa.

Dá pra melhorar? Dá, só um pouquinho. Mas tá tão bom meu dia!

sábado, 20 de novembro de 2010

Foi aquela série de bobagens encarreiradas. Eu devia ter respondido de forma curta, com apenas mais uma pergunta absurda, às outras que ele me tinha feito. Minha resposta seria: "Mas, senhor, é possível ter saudade do que não foi?"
Temo, no entanto, que não seria muito convincente. Pelo contrário, deixaria em aberto a dúvida, como costumam deixar as perguntas -- principalmente aquelas cujas respostas não são claras e certas.
Temo na verdade que seria muito convincente e provaria justo aquilo que eu queria desmentir: é claro que é possível. No fundo, é apenas do que não foi que se pode ter saudade. O que foi é mera referência do que pode voltar a ser, mas ainda não é.
Ou será ainda que não? Talvez a saudade possa ser frequentemente do que foi e não volta, do que não pode vir a ser, do irrecuperável, do morto e enterrado.
E esse sentimento pelo que não foi e esperamos que seja, então, como se chamaria? Uma esperança que quase se realizou, mas nos decepcionou, e sobre a qual nem se tem mais muita certeza se pode se realizar ainda tanto tempo passado. E pensamos então em como poderia ter sido e é ainda uma certa esperança que olha para trás, como se aquele instante interrompido pudesse voltar -- e talvez de alguma maneira possa. E não possa, pois não seria mais aquele instante.
Ou a saudade então se volta para trás, para aquilo que perdemos, mas querendo que aquilo que está atrás se lance à nossa frente em nosso futuro para fazer parte do presente? E seria então por isso que ela nos rasga ao meio, ou ainda nos torce a espinha que se esforça por virar para trás e puxar com força algo que, enraizado que está, não pode voltar? Seríamos todos Orfeus condenados a quase recuperar Eurídice, mas a perdê-la no último instante?
Não sei se são as horas de sono (12) ou o jejum prolongado (12), mas hoje acordei com uma sensação que não tinha há muitos sábados. Parece com final de semana de minha infância, uma falta de obrigação, uma leveza, um descompromisso com o relógio...
Mas já passou.