É como se não importasse o caminho tomado: sempre haveria quinas com as quais seu dedinho do pé colidiria. É como a coceira que jamais se poderá coçar, como a aguardente que não sacia.
No fundo, a quina é sempre a mesma. Supera reformas, demolições e até mesmo mudanças e migrações. Em uma noite de primavera, quando menos se espera - aliás, quando se acredita na emancipação definitiva do dedo mindinho -, a quina ressurge e abala todas as convicções, traz de volta a mesma dor sentida décadas atrás como se todo esforço tivesse sido em vão, como se todo o construído não passasse de castelo de cartas abstratas.
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