sábado, 30 de outubro de 2010

- Mas é engraçado, filho, que eu não tenho registro de quase nada. Eu só lembro dos últimos dias. E lembro que seu irmão estava bêbado quando me levou pro hospital. Eu não queria ligar pra ele, porque tinha visto na tv que tinha essa tal de fostfostfost...
- ? (Risos)
- Fostfostfost...
- Mãe, eu não entendo essa sua estratégia com as palavras estrangeiras. Você fica repetindo uma mesma sílaba várias vezes achando que vai acertar! Assim você não chega em lugar nenhum!
- Fostfostfost... como é que é mesmo? Aquele negócio de cerveja... orkfos...
- ? (Risos)
- ... obfor...
-? (Rolando de rir)
- Ofskor... fala, meu filho!
- Oktoberfest!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Não não, eu não entendo me bloquear no Facebook. Eu me acho absoluta e inegavelmente adorável.
Não consigo trabalhar. No pouco tempo que sobra (quando não estou visitando, mandando e-mail, resolvendo pendências), não consigo me concentrar e fico praticando leitura escapista sobre as eleições.
Os amigos em grande parte sequer ligam para saber como estou. Pergunto-me se só os que já passaram por algo parecido sabem como é. Acho que não, porque os que já passaram (e até tiveram meu apoio) também estão sumidos.
Sinto sono o dia inteiro, mas à noite evito me deitar para não pensar em coisas tristes. Pratico então a audiência escapista de séries cômicas baixadas em meu laptop.
Amanhã dou aula. É assustador.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ter filhos...

... é uma grande bobagem feita por aqueles que momentaneamente se iludem e acreditam que a vida humana é algo que deve ser perpetuado?
Ou é o último tiro no escuro daqueles que, em meio ao desespero da falta de sentido da vida adulta, suspeitam que alguém de quem cuidar talvez seja uma solução?
Ou ainda as duas coisas?

sábado, 16 de outubro de 2010

Escrito de improviso

Quando é pra pedir ideia pro aniversário, a pessoa sabe ligar.
Quando é pra perguntar qual o horário de visita, a pessoa sabe mandar SMS.
Já quando é para perguntar como estou, se estou precisando de algum apoio, ninguém "sabe como agir".
Isso para mim tem um nome: conveniência. OK, entendo que cada um tenha a sua zona de conforto. É curioso apenas como alguns saem muito bem dela em certas situações, isto é, quando lhes interessa sair. O fato é que quando é pelo bem alheio, ninguém se incomoda, ninguém vai improvisar e descobrir como agir.
Ah, tá, meu bem. Parei por aqui, ó. Quando você precisar, também não vou "saber como agir".
1 - Ligar ou mandar SMS após as 22 a alguém cuja mãe está internada é de uma falta de tato siderúrgica.
2 - Deve ser ruim pra caralho passar o dia deitado sem tv nem livro nem ninguém ouvindo apenas o apito de algum aparelho médico.
Situações radicais radicalizam nossas posturas fundamentais.
Sinto-me profundamente só. Ao mesmo tempo, a perspectiva de ter companhia não me promete o conforto.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Traduzi no google e repostei só para brincar com o http://urlai.com/url/ojunipero.blogspot.com. Não podia dar mais errado.
Friday, October 8, 2010
It's like no matter the path taken, there would always be machines with which his little toe would crash. It's like the itch that can never be scratching like brandy than satisfies.
Basically, the machine is always the same. Exceeds reforms, demolitions and even changes and migrations. On a spring night, when least expected - in fact, if you believe in the ultimate emancipation of the little finger - the machine comes back and shakes all convictions, brings back the same pain felt decades ago as if the whole effort was in vain as if all the built nothing more than abstract house of cards.
Posted by young sprout at 23:09 0 comments
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Thursday, October 7, 2010
Mystery
Two warehouses followed in my account. From an agency that is in the Conde de Bonfim, Tijuca. Little more than 100 real at all. Who was it?
Posted by young sprout at 17:14 1 comments
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Tuesday, October 5, 2010
Fundamental randomness
Today I felt like while I was thinking about going back to my addiction to therapy. Not because they want someone to sort my feelings and my recent follies, I'm fine with them. though they are so weird. It's a shame that when I have an answer to my psychologist, has no more interest in spending my money to visit her. It's just one sentence: you can not reduce human relationships to a mercantilism affections. You can not stop hoping that relations are better than one-swapping, one-take give-. Today I would not let you convince me that they are. I hope one day you realize this, and also his patient: lose that hope is to systematize and lose hope in life itself.
***
the dark air
down the coal spiral
land for white

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É como se não importasse o caminho tomado: sempre haveria quinas com as quais seu dedinho do pé colidiria. É como a coceira que jamais se poderá coçar, como a aguardente que não sacia.
No fundo, a quina é sempre a mesma. Supera reformas, demolições e até mesmo mudanças e migrações. Em uma noite de primavera, quando menos se espera - aliás, quando se acredita na emancipação definitiva do dedo mindinho -, a quina ressurge e abala todas as convicções, traz de volta a mesma dor sentida décadas atrás como se todo esforço tivesse sido em vão, como se todo o construído não passasse de castelo de cartas abstratas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mistério

Dois depósitos seguidos na minha conta. De uma agência que fica na Conde de Bonfim, Tijuca. Pouco mais de 100 reais ao todo. Quem foi?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aleatoriedades fundamentais

Hoje me deu vontade enquanto pensava com meu vícios em voltar à terapia. Não porque queira que alguém ordene meus sentimentos e minhas loucuras recentes; eu estou bem com elas. ainda que sejam tão estranhas. É uma pena que, quando eu tenha uma resposta à minha psicóloga, não tenha mais interesse em gastar meu dinheiro para visitá-la. É só uma frase: não se pode reduzir as relações humanas a um mercantilismo de afetos. Não se pode deixar de ter esperança em que as relações sejam mais que um troca-troca, um toma-lá-dá-cá. Hoje eu não deixaria você me convencer de que elas o são. Espero que um dia você perceba isso, e sua paciente também: perder essa esperança é sistematizar e perder a esperança na própria vida.
***
pelo ar escuro
desce a brasa em espiral
para pousar branca

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É engraçada a persistência de algumas frases

A memória incontrolável me surpreende com uma música há tempos não houvida de repente surgida na pista de dança. A parte da memória que fica dentro de mim também me surpreende com muita coisa, mas só penso na frase: the bridegroom is a whore.