quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acho que entendi

Essa crise que me tem assolado. Porque estou com um problema: de repente me vi de frente à falta de solução do mundo. E percebi que em alguma medida o meu modo de lidar com a falta de solução do mundo não deixava de ser uma solução. Porque a vida sem solução não permite uma resposta lógica ou crítica, uma medida conceitual que estabeleça as regras. Então eu vinha pensando a partir de uma ética (em todas as esferas) que se baseava na falta de solução, mas principalmente de uma espécie de fraternidade manuelina franciscana advinda da falta de solução.
Vendo hoje a Gabi recomendando aos uspianos e policiais que amem mais, percebi: eu posso viver (acho) de uma ética do amor e da fraternidade. Talvez a Gabi também possa por ser canceriana. Mas percebi que só a fraternidade não dá conta, que uma ética baseada no páthos não dá conta de tudo. Medeia (que eu e Gabi adoramos, por sinal) também estava cheia de páthos.
Manuel diz: alguém tomado pelo humano não mata.
Mas é claro que mata, Manuel. Medeia estava tomada por O QUÊ? O desumano? Então admite, Manuel: você tem UM pre-conceito que seja: o humano é fraterno.
Mas o humano não é fraterno por natureza. Pode ser, mas pode não ser. E eu precisei me levar até o limite do amor para, alguns meses atrás, ousar chegar à frase: o amor não basta, o amor não dá conta de tudo, não resolve tudo. E curiosamente foi justo a Gabi que conversava comigo quando disse isso.
Então é isso: o amor não resolve o namoro, não resolve a ética, não resolve a política, não resolve a educação. Estou pairando, descrente do amor, na falta de solução.