sábado, 28 de maio de 2011

I seriously don't get this shit

And if you want to start getting mad at me for no reason whatsoever every time we meet, please let me know and I'll make sure that does not happen again.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Teach me how to care, we said, but what I really mean now is to learn how to stop caring, to stop looking for, to stop expecting anything. How to deal with having my expectations so often let down by the one from whom I expect the most?
Pesa, pesa, pesa. Mas não é uma sentença.

0 Kelvin

Vovó supriu minha cama no sofá de três cobertores, um sobre o outro. Será que ela, justo ela, não sabe que o frio que incomoda mesmo é de outra ordem?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Noturno

Minha mochila preserva a mesma desordem de ontem e nem a letra sai direito. I can't even write this properly. Há dias em que a estética do abandono, da solidão e do desespero falam mais alto. A retórica da dor, temo, é forte demais em mim às vezes e me parece mesmo que seja a infelicidade meu único caminho. Não é palhaçada, como não são palhaçada os cigarros que fumo e minha desordem mental e total desatenção a tudo mais que me rodeia nesses dias. Por onde sair desse poço sem fundo que draga a todos e me deixa a sensação do peso vazio no peito. Mas quem mais a sente sou eu. Como você mesmo disse, ninguém sabe a dor que foi o caminho até aqui. Quem compartilhou momentos dele comigo tem alguma ideia do silêncio que me devora, mas no fundo a dor é minha e me parece cada vez menos possível que alguém -- nem mesmo eu -- possa dar conta dela. Desse poço vazio sai muita coisa, mas ele também me cobra um preenchimento que não sei como fornecer. Os amigos me ajudam. Nesse momento ouço a voz da Ju falando alto e me lembro do começo da faculdade e da alegria e da certeza de que tudo ia ficar bem. Nós já fomos íntimos e você nem sabe e talvez nem venha a saber o quanto, tão pouco afinal você sabe de mim. Nem sei se convém saber, nem sei qual o papel que você quer ter na minha vida. Mas talvez também seja eu a atribuir demais papéis e isso me dificulte lidar com os seres humanos de carne e osso. Como dói esse desencaixe, que no fundo é o desencaixe entre mim e mim mesmo no qual me encontro só e só e só e que não é culpa nem responsabilidade de ninguém. Por que acreditar que quem me cativa é responsável? Ninguém é nem pode ser. Nem eu consigo ser!? Ai, Mel, quando você me mostra essas frases e digo "nhé" e por instantes tento fingir que elas não são sobre mim. Que eu não sou um ser de peso, de água espalhada e incontida sobre o chão cheio de frestas e se infiltro por elas sem nem perceber, incontrolável. Ninguém tem culpa. A dor é minha. A escrita, eu sei, a me salvar desde os dezesseis, talvez quatro anos, quando aprendi a refugiar meu deslocamento das festas familiares nos rótulos de produtos para piscina. Esse caos nunca me abandonou e não adianta fugir para São Paulo, São Pedro, nem deus, que não existe, pode dar conta desse desespero que não rende nem uma ficção que se preze. Ainda que se prezasse, que diferença faria? Espalhá-la sobre as pessoas, sair do meu peito e semear a emoção que chora? Qual afinal pode ser o amor a me salvar da retórica da desilusão? Não há, não há. Há apenas a ilusão da fuga, momentos breves de alegria, mas o todo é trágico e desesperançado. Eu só não quero machucar ninguém nessa brincadeira já tão antiga que eu teimo em não aprender a brincar.
E se minha vida mudou definitivamente naquelas tardes de Rai, ela mudou tanto e tanto que eu nem sei mais como lidar com ela. Nem sempre se está preparado a lidar com o amor que se recebe e o jogo de cintura chega a ser malabarismo e a gente nunca consegue se acomodar, mas também a comodidade cansa, enjoa, e nem sei também se a quero. O samba talvez me agrade mais que a inércia: a dança de não saber de mim nem quem nem onde nem quando e eu queria um descanso de mim, um refúgio nos braços de quem se os braços se fecham e afastam antes que eu possa adentrá-los. Deixam tudo incompleto, partido, lacunar. O poço sem fundo vazio, seco, estéril e não há distração ou diversão que verta meu olhar para qualquer ponto que não o de fuga. A murderous desire for love que sei que você também tem mas não aceita e não deixa ninguém ver muito menos pode admitir que eu seja para ele a solução ou que seja um paliativo. Mas quando é também que a gente para de viver de paliativo? Quando vem o remédio para a dor?
Dau fala da aventura da escrita e ela me parece nada mais que a aventura da vida. No meu caso, se confundem cronologicamente, biograficamente, biológica e organicamente. Não há outra vida que não seja aquela acompanhada pelas palavras que jorram como sangue. Você fala de plantar flores nos vasos sanguíneos, e eu vejo uma poética da rolha. No entanto, a terra, embora estanque, se encharca. Poética é também movimento, a dor do movimento, de saber a não inércia de si próprio. As flores com o tempo boiam na água, como as da Ofélia que você é e não aceita ser e ordena e firma e finca em suas convicções. Medo. Temo e recomendo sempre que se temam as convicções. De hábito ignoram e mutilam alguma alteridade, não raro a própria daqueles que as professam. Deus te livre, leitor, de uma convicção. Quero uma vida de textos móveis, mas o pior é que meus grandes, longos e sinceros se repetem, deslocados, solitários, tristes. Como me livrar do meu grand récit?
Honey, without you I'm nowhere. Sem você só há exílio, então me diga por favor que quer ser a minha pátria também.
Começa no estômago e desce até o baixo ventre. Ninguém, remédio algum me livra dela: a dor é minha, a dor é minha e desse papel reciclado que talvez ninguém nem eu venha a ler. As palavras apenas flutuam, batem e se debatem como os passarinhos de papel do Largo da Carioca que voam às cegas, incompreendidos, desolados, até atingir alguém -- quem? -- no meio do estômago.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

E a pizza até então apetitosa de repente perdeu todo o apelo enquanto
os talheres se deixaram colocar sobre o prato, que foi rápido afastado
para a mesa vizinha. O estômago, quando fica sabendo de certas coisas,
custa a esquecê-las e, o que é pior, faz questão de mandar à mente
certos inconvenientes lembretes de tempos em tempos. Não o culpo,
porém: não deve ser fácil digerir tanta realidade, ainda mais quando
ela vem gordurosa e nauseante.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Profusion

Andando na rua, a árvore de repente passou e surgiu um poste de luz
amarela. Achei que fossem fogos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A enfermeira do hospital e eu

Ao me ver abraçado às pernas da minha mãe:
"Tem namorada ele?"
"Não."
"Ah, se tivesse, a namorada é que ia gostar. Homem carinhoso assim, né?"

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Calça nova: vestida. Sobrancelha: feita. Oleosidade do rosto: devidamente controlada. Irmão: convocado para tomar conta da mãe.
Agora me diz: pra quê?