De repente me veio uma lembrança louca da noite em que meu pai foi internado. Estava dando os parabéns à Dally no facebook quando dei de cara com a foto da irmã dela.
Naquela noite, em outubro (era outubro?) de 2009, eu saí da faculdade e fui para um bar ali pelo Rosa de Ouro com Branco, Marcelle e, se não me engano, Fernandinha. Bebemos bastante. A Fernandinha tinha algum compromisso que a fez voltar cedo. Acho que era alguma prova e ela tinha que estudar, ou algum relacionamento que ela tinha que discutir.
Bebemos, peguei meu 996 e, no meio do caminho, entra a Erika no ônibus com seu cabelo vermelho. Ou eu é que entrei depois dela porque ela estava voltando de um trabalho no Jardim Botânico?
Não temos muita intimidade, quase nunca nos encontramos, mas eu tinha bebido, talvez ela também, e fomos o caminho inteiro conversando sobre carreira, vida, arte, dinheiro, dificuldades. Poucos detalhes de que me lembro: ela dizendo que admirava a irmã por ter saído de casa; a dificuldade de viver de arte; os diferentes trabalhos de artista e os que pagavam bem sendo menos interessantes; o teatro. Basicamente, acho que era isso. O que ficou claro e forte de verdade na memória foi uma força muito grande ao descer do ônibus e me despedir dela. Aquela sensação de ser jovem e ter todos os caminhos abertos pela frente, e ter gana para correr atrás de tudo.
Curiosamente, receber a notícia da morte do meu pai assim que acordei no dia seguinte reforçou essa sensação. Acho que o substrato era muito alheio ao teor da novidade para que ela tivesse tanto impacto. Talvez por isso até hoje eu não tivesse sofrido direito essa perda, não fosse pela manhã de domingo, em que tudo se misturou.
terça-feira, 29 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Vida engraçadinha
Após duas horas solitárias de muito medo, incerteza e choro, receber as palavras mais lindas. Sigo com fé.
terça-feira, 22 de março de 2011
Gente de signo de terra é tudo assim, é?
Assim que acordei, contei:
- Pois é. Sonhei que você paria uma aranha. Na verdade, era mais uma aranha-esqueleto, branca. Mas você a deixava escondida no armário dentro de um pote de sorvete. Como você não cuidava dela, eu e meu primo íamos lá e ela estava sempre meio estressada, com fome...
Voltei a dormir. Horas depois, no início da tarde, enquanto eu trabalhava no computador, ela varria o chão e me deu a resposta. Ao falar do filho cujo nome nunca é mencionado, usava um tom como o de quem comenta a forma das nuvens no céu, a umidade do ar ou o sabor da empada.
- Eu tenho uma interpretação para o seu sonho. A aranha é o seu tio que se matou. Você e seu primo se sentem obrigados a continuar o que ele não terminou, a cuidar do que sobrou dele. Ele é o esqueleto no armário, porque é assim mesmo: vocês nunca ouvem falar dele e ontem você sem querer topou com o nome dele no meio do sistema online da universidade. E você se sente mais assim ainda porque tem o mesmo nome que ele.
É claro que reagi como se ela estivesse me dando informações banais e respondi no mesmo tom que ela: - É. Pode ser.
Horas depois, enquanto ela fritava o bife do jantar, a pergunta:
- E então, o que você achou da minha interpretação pro seu sonho? - Ao mesmo em que realizava suas tarefas banais, trocava os temperos e, em vez de orégano, jogava erva-doce na salada.
- É... um pouco far-fetched, não? - respondi, fingindo uma quase-indiferença.
- É, mas sonhos são far-fetched. - E seguiu falando de sonhos como se fossem coisas técnicas e distantes sobre as quais ela, uma especialista objetiva, pudesse discorrer por horas e horas, se esquecendo completamente de toda a carga emocional que o assunto lhe trazia.
- Pois é. Sonhei que você paria uma aranha. Na verdade, era mais uma aranha-esqueleto, branca. Mas você a deixava escondida no armário dentro de um pote de sorvete. Como você não cuidava dela, eu e meu primo íamos lá e ela estava sempre meio estressada, com fome...
Voltei a dormir. Horas depois, no início da tarde, enquanto eu trabalhava no computador, ela varria o chão e me deu a resposta. Ao falar do filho cujo nome nunca é mencionado, usava um tom como o de quem comenta a forma das nuvens no céu, a umidade do ar ou o sabor da empada.
- Eu tenho uma interpretação para o seu sonho. A aranha é o seu tio que se matou. Você e seu primo se sentem obrigados a continuar o que ele não terminou, a cuidar do que sobrou dele. Ele é o esqueleto no armário, porque é assim mesmo: vocês nunca ouvem falar dele e ontem você sem querer topou com o nome dele no meio do sistema online da universidade. E você se sente mais assim ainda porque tem o mesmo nome que ele.
É claro que reagi como se ela estivesse me dando informações banais e respondi no mesmo tom que ela: - É. Pode ser.
Horas depois, enquanto ela fritava o bife do jantar, a pergunta:
- E então, o que você achou da minha interpretação pro seu sonho? - Ao mesmo em que realizava suas tarefas banais, trocava os temperos e, em vez de orégano, jogava erva-doce na salada.
- É... um pouco far-fetched, não? - respondi, fingindo uma quase-indiferença.
- É, mas sonhos são far-fetched. - E seguiu falando de sonhos como se fossem coisas técnicas e distantes sobre as quais ela, uma especialista objetiva, pudesse discorrer por horas e horas, se esquecendo completamente de toda a carga emocional que o assunto lhe trazia.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Dificulidades
Meses atrás postei em algum lugar que simplesmente não conseguia
aceitar ser bloqueado no facebook. Não entendo alguém foda que nem eu
não ser querido.
Agora há pouco olhava os amigos que alguns conhecidos têm e sentia
alguma pena das pessoas que passam pela vida sem me conhecer. Perderão
muito, coitadas.
Mais cedo, à tarde, tentava em vão me lembrar de alguma situação em
que eu tenha conseguido ser indiferente aos outros, aos sentimentos
dos outros ou, o que é ainda mais difícil de ignorar, os sentimentos
dos outros por mim, sejam eles quais forem.
aceitar ser bloqueado no facebook. Não entendo alguém foda que nem eu
não ser querido.
Agora há pouco olhava os amigos que alguns conhecidos têm e sentia
alguma pena das pessoas que passam pela vida sem me conhecer. Perderão
muito, coitadas.
Mais cedo, à tarde, tentava em vão me lembrar de alguma situação em
que eu tenha conseguido ser indiferente aos outros, aos sentimentos
dos outros ou, o que é ainda mais difícil de ignorar, os sentimentos
dos outros por mim, sejam eles quais forem.
Isso tudo é pra dizer que
a) namorar me faz pensar mais em mim do que o habitual; ou
b)eu invento jeitos muito locos locos locos de lidar con rejeições --
fingir indiferença sendo apenas um deles.
quarta-feira, 16 de março de 2011
A foto já seria divertida sozinha
Faz um tempo que eu não ouvia falar de learning opportunity. Desde os tempos de Cultura, acho. Aí me vem essa mulher, que aparentemente é professora da PUC, dar uma de Poliana.O que eu não esperava era mostrar isso pro meu amigo Ursinho e ouvir
Ursinho carinhoso diz (2:44 PM):
aaaaaaaah
hahahahahah
é, rapaz, tem que ver isso aí.
agora a gente sabe por que as pessoas da puc leem a república de romero.
elas leem no escuro!
sábado, 12 de março de 2011
Muito privilegiado
Eu tenho grandes amigos. De verdade. Queridos, presentes, sinceros, accepting e com quem eu me sinto à vontade. Tanta gente aí lutando por achar seu lugar em meio a gente errada...
sexta-feira, 11 de março de 2011
Sonhei com a última estrofe de Beim schlafengehen. Não que tocasse no sonho, mas eu olhava para o céu, desejava me misturar às estrelas e o fazia, lembrando da canção.
Agora à tarde ouvi a canção me lembrando do sonho e me emocionei.
Agora à tarde ouvi a canção me lembrando do sonho e me emocionei.
E a minha alma, livre de vigilância,Quer pairar com asas livres,
Para no círculo mágico da noite
Viver mil vezes profundamente.
terça-feira, 1 de março de 2011
Sonhei que levava One Dove pra tocar na aula de inglês. E ficava chorando, mas ninguém via porque todos dormiam. Era aula de inglês, mas também era uma festa na casa de alguém. Acho que na casa do Dau dos meus sonhos.
Nos meus sonhos, o Dau mora em um prédio meio quadrado e a porta está sempre aberta. Em algumas noites, eu aproveito que ele não está e entro lá pra dar uma relaxada.
Fevereiro inteiro o Personare me mandou avisos de que seria um mês tenso emocionalmente, em que eu devia evitar criar problemas à toa. E tudo ia acabar até dia 28. Hoje abro meu e-mail e está lá o famoso e temível trânsito do cabelo em ovo ("Jun, pare de procurar cabelo em ovo"). Diz aí, Personare, quando é que as coisas vão acalmar?
Nos meus sonhos, o Dau mora em um prédio meio quadrado e a porta está sempre aberta. Em algumas noites, eu aproveito que ele não está e entro lá pra dar uma relaxada.
Fevereiro inteiro o Personare me mandou avisos de que seria um mês tenso emocionalmente, em que eu devia evitar criar problemas à toa. E tudo ia acabar até dia 28. Hoje abro meu e-mail e está lá o famoso e temível trânsito do cabelo em ovo ("Jun, pare de procurar cabelo em ovo"). Diz aí, Personare, quando é que as coisas vão acalmar?
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