Gostaria de fazer aqui uma carta de repúdio às atitudes... Não. Não é nada disso.
Eu não vejo mais Saia Justa com a frequência a que estava acostumado. Não me interessa mais tanto assim. Ontem, um tanto por falta de opção, caí no GNT. E acho bacana quando elas comentam o visual de não sei quem, a vida de fulano, ou coisas ainda menos banais do que isso, mas sem compromisso com a seriedade.
O diabo é que, não sei se por queda na audiência, o programa tem um tom cada vez mais pretensioso. Resultado: a quantidade de bobagens aumenta. Ontem todas minhas expectativas foram superadas. Uma
jornalista convidada, que aliás é também pesquisadora da UFMG (aquela que cada vez mais se adapta às diretrizes do governo para o ensino superior), disparou uma pancada de generalizações sobre a imagem da mulher na história da humanidade: "de Grande Mãe, Eva, Maria, Afrodite, Pin-Up, Manequim até chegar à quarta geração de imagens denominada de 'mulher real e possível'". Nem comento a bobajada específica em detalhes, e espero que a superficialidade das generalizações epocais se deva à brevidade do formato, a entrevistinha curta. Mas certamente o mais interessante é A QUARTA MULHER, espécie de "possibilidade inédita de emancipação da imagem feminina"!
Hoje em dia, liberta dos paradigmas, há uma imagem sem imagem rodando por aí, que não prescreve nem dita tendências de comportamento feminino. Estranho, no mínimo.
Mas depois vem a empolgação das saiasjustas em comentar, cada uma com sua antropologia (!), suas leituras das últimas pesquisas (!) e, como não poderia deixar de faltar, terminologia saussureana (!).
Eu esperava que ao menos a M Tiburi se metesse e contestasse tanto absudo junto, afinal ela se diz leitora de Foucault. Mas não. Limitou sua crítica à existência de outras imagens através dos séculos.
O sonho pós-moderno afeta mesmo a todos, parece, e a própria
filósofa se mostrou entusiasmada com os dias de hoje, em que se pode ser pansexual de manhã, assexuado à tarde, transexual à noite e heterossexual de madrugada.
Ai ai. É cada uma...
Sugiro a campanha "SAIAS, VOLTEM À BANALIDADE!".