segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ligeiro merchandising e boletim informativo da saúde

Avertência
São anotações, apontamentos. No ponto de partida e ao longo de tais notas está, principalmente, a leitura de dois pensadores e seus comentários sobre os gregos, em geral, e Aristóteles, em particular, a respeito de aísthesis e nous, sensação e percepção. Estes pensadores são Heidegger, alguns acenos em Ser e Tempo, e Ortega y Gasset, no $18 de seu La idea de principio en Leibniz, intitulado El sensualismo en el modo de pensar aristotélico - belíssimo, agudo ensaio, este!
A partir daí, provocado e inspirado por Nietzsche, tentou-se esclarecer corpo - "a grande razão. A tentativa é de expor o problema sem se fazerem frequentes e cansativos remetimentos aos textos dos autores referidos, mas, antes, procurando mostrar o que foi absorvido, assimilado - incorporado.
Em fazendo isso, constatou-se, aconteceu um amontoado de notas desencontradas, de formulações confusas, um emaranhado próprio do reino do obscuro de do confuso. Resultado: entrevê-se Descartes sorrindo triunfante, meio irônico, bastante escarninho e com desprezo, com desdém cochichando: "eu não disse!" Mas aí está e assim fica - um pequeno salame filosófico, uma pequena salsicha especulativa. Obscura e confusa. Que seja!
Esse é um trechinho inicial hilário de "Notas sobre o corpo", de Gilvan Fogel, que sai esse mês no belo volume Arte: corpo, mundo e terra, pela 7Letras. Comecei a ler ontem de madrugada e me peguei rindo por alguns minutos de um texto filosófico. Acho que nem o Nietzsche nunca me fez isso.
Por falar em corpo e psicossomatices, a ansiedade das últimas semanas com leituras, escrituras, revisuras, chaturas e interessuras, enfim, me venceu e estou gripado. Justo agora que estou em vias de resolver a causa mor da ansiedade: um texto sobre literatura e educação para uma revista da pós lá da faculdade. Ai ai...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Microsoft e moralismo



Eu achava que o Word só marcava os palavrões em vermelho e nunca adicionava ao dicionário. Mas a coisa está cada vez mais sofisticada.
Não sei quando tudo começou a ficar assim. Não me lembro quando acordei e pensei "está tudo errado" pela primeira vez. A alegria eterna do meu dentista me deixa ainda mais angustiado. Talvez seja também o excesso de sorrisos por aí pela vida. Talvez seja só acordar cedo na sexta e saber que o final de semana não vai acontecer.
Talvez esteja tudo errado. Mas eu não vou à terapeuta para que ela me diga que não está assim tão errado ou que é possível reelaborar. Nem para um padre que me absolva com vinte padr'-nossos e cinvo ave-marias. Não tem saída nessas horas além de ouvir radiohead e beethoven repetidamente. Uma catarse que compreenda necessariamente levar o trágico às últimas conseqüências.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Alberto Marsicano, em suas crônicas, p. 29

“Após um instante de silêncio, pergunto ao flautista tuaregue qual seria a música árabe mais antiga e ele proclama:
- O vento do deserto!”

domingo, 3 de maio de 2009

Agora ali pela janela tem uns meninos jogando alguma coisa com bola e um gol. Aí eu lembrei de ser criança com um amigo meu e correr pelo quintal com a bola e de repente correr até o quarto pra ver qualquer coisa na tv e voltar. A lembrança é de muito entusiasmo. E, talvez não tenha olhado, mas, se tivesse, saberia nos olhos dele que o entusiasmo era junto.
Depois que se cresce, só se corre atrás de ônibus? Eu não me lembro de nunca (a não ser sexualmente) me sentir numa sintonia apaixonada tão forte.
Lembra dessa voz que foi até no Faustão?

Ó onde foi parar a bichinha: